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Turquia regista o maior recuo em direitos humanos "em muitos anos"

A situação dos direitos humanos na Turquia registou em 2015 o maior recuo em décadas, considerou hoje a ONG Human Rights Watch (HRW) durante a apresentação em Istambul do seu relatório anual.

© Sertac Kayar / Reuters

"No ano passado [2015] assistimos à maior deterioração desde que estou aqui [2003]... possivelmente a maior deterioração em toda uma geração", assegurou a investigadora Emma Sinclair-Webb durante a apresentação do relatório.

A representante da ONG de direitos humanos sublinhou que as "políticas do medo" que o Governo aplica contra ativistas e jornalistas apenas refletem o receio das autoridades perante toda a crítica.

"O descalabro do processo de paz curdo, a repressão dos meios de comunicação e, finalmente, a erosão do sistema de justiça fazem prever tempos obscuros", vaticinou a investigadora.

Numa referência à questão curda, denunciou as "forças estatais que levaram o conflito com a guerrilha curda até ao centro das cidades, com a colaboração voluntária do PKK [numa referência à guerrilha do Partido dos Trabalhadores do Curdistão], o que aumenta as vítimas civis".

Sinclair-Webb recusou fornecer números sobre os mortos provocados pelo atual conflito, pelo facto de ser impossível um balanço fiável na "neblina da guerra".

No entanto, manifestou preocupação pela "negação de vítimas civis" por parte do Governo.

Os responsáveis militares, recordou, incluem apenas números de "terroristas neutralizados", mas nunca fazem referência a civis.

"Contactei esta manhã com Cizre [localidade do sudeste do país sob recolher obrigatório desde 16 de dezembro] e permanece o drama de 28 pessoas que permanecem num sótão; há vários mortos e outros que necessitam de urgentes cuidados médicos, que não recebem", denunciou.

Em paralelo, assinalou a investigadora, o Governo dominado pelos islamita-conservador Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) do Presidente Recep Tayyip Erdogan, desencadeou uma ofensiva contra numerosos meios de comunicação críticos, com a detenção e prisão de vários jornalistas, incluindo Can Dündar e Erdem Gül, do diário Cumhuriyet, a interrupção de um direto da Bugün TV ou os ataques de "linchamento" ao diário Hürriyet.

A erosão do sistema judicial, que já não funciona de forma independente e permanece sob o controlo do Governo foi outro aspeto sublinhado pela responsável da HRW, que considerou o atual panorama na Turquia "muito obscuro".

Lusa

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