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Guerrilheiros colombianos pedem para sair da lista de organizações terroristas da UE

Os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC, guerrilha marxista) pediram hoje à União Europeia (UE) para serem retirados, o mais breve possível, da lista de organizações terroristas do bloco comunitário.

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© John Vizcaino / Reuters

O pedido foi feito pelo principal negociador das FARC, Luciano Marín Arango, conhecido como "Iván Márquez", que alegou que essa decisão iria ajudar no processo de paz colombiano.

Márquez falava hoje, via videoconferência, numa audição pública na comissão de Assuntos Externos do Parlamento Europeu, que também contou com a participação, igualmente através de videoconferência, do alto comissário para a paz e negociador do Governo colombiano, Sergio Jaramillo.

"O mais justo e coerente é retirar as FARC da lista de organizações terroristas, com a mesma celeridade com a qual fomos incluídos", afirmou Márquez, dirigindo-se aos eurodeputados.

Para o negociador das FARC, a saída da organização desta lista comunitária iria eliminar "um obstáculo" para a normalização da situação na Colômbia e poderia facilitar o processo de reintegração dos antigos combatentes na vida civil.

As FARC figuram desde junho de 2002 na lista europeia de organizações terroristas.

Na sua intervenção, Márquez também agradeceu o apoio da UE no processo de paz e, em particular, o anúncio da criação de um fundo fiduciário para apoiar um futuro acordo entre o Governo de Bogotá e as FARC.

"Saudamos e agradecemos esta solução solidária", disse o negociador das FARC.

Iván Márquez enumerou ainda os avanços das negociações de paz, defendendo que um futuro acordo terá de ter um caráter sólido.

"É necessário que as causas que deram origem ao conflito nunca mais se repitam, para que o acordo de paz não seja um mero parêntese", mas sim um processo duradouro de reconciliação.

Também presente na audição, o enviado da UE para o processo de paz, o irlandês Eamon Gilmore, convidou os Estados-membros a contribuírem para o fundo fiduciário, explicando que esta verba poderá ser aplicada após o acordo de paz para financiar projetos para a desminagem dos terrenos e para o desenvolvimento rural.

As FARC, fundadas em 1964 na sequência de uma rebelião camponesa violentamente reprimida, integram cerca de 7.000 combatentes, segundo as autoridades colombianas.

O Governo do Presidente Juan Manuel Santos e a guerrilha negoceiam desde novembro de 2012 para terminar com o mais antigo conflito armado na América Latina, que se prolonga há mais de meio século e com um balanço de pelo menos 220 mil mortos, seis milhões de deslocados e dezenas de milhares de desaparecidos.

As conversações de paz têm decorrido em Havana, Cuba.

Na quarta-feira, a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), reunida em cimeira em Quito (Equador), referiu estar preparada para monitorizar o fim do conflito armado na Colômbia.

A pedido de Bogotá, os chefes de Estado e de Governo dos 33 países membros do bloco regional vão discutir a composição de uma missão que deverá verificar o respeito do acordo de paz, que o Governo colombiano pretende assinar até 23 de março com as FARC.

Lusa

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