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Ministério Público japonês pede multa de mais de 6 mil euros para "artista da vagina"

O Ministério Público do Japão pediu hoje a aplicação de uma multa de 800.000 ienes (6.080 euros) para a pintora e escultora Megumi Igarashi, conhecida como a "artista da vagina", por distribuir objetos obscenos.

reuters

Megumi Igarashi, de 43 anos, está acusada pelas autoridades nipónicas de distribuir dados para imprimir réplicas em 3D da sua vagina através da Internet, em troca de dinheiro, em outubro de 2013 e março de 2014

Além disso, a pintora foi detida em dezembro de 2014 por exibir numa exposição em Tóquio obras que reproduziam genitais femininos.

Na primeira audiência de julgamento da artista, que começou em abril do ano passado, Iragashi admitiu os feitos, apesar de negar a existência do delito, com o argumento de que o seu trabalho artístico "nada tem de obsceno".

Iragashi, que trabalha sob o pseudónimo de "Rokudenashi-ko" ('rapariga má'), afirmou que na sua obra utiliza os genitais femininos como tema principal mas, frisou, não de uma forma salaz.

Nesse sentido, um professor universitário especializado em História de Arte testemunhou diante do tribunal em defesa de Igarashi, ao considerar que o seu trabalho "não parece ser material obsceno que cause excitação sexual".

Na sua mais recente intervenção no julgamento, Iragashi pediu um processo imparcial. "Não posso estar de acordo com a minha detenção por ter criado obras que desafiam a imagem existente associada aos genitais", concluiu.

O seu advogado acrescentou que a distribuição de dados ocorreu "como parte de uma atividade criativa com o objetivo de que os seus seguidores o usassem para criar novas obras".

Uma vez conhecido o pedido de multa por parte do Ministério Público, a sentença contra a artista vai ser tornada pública no próximo dia 09 de maio, informou a agência noticiosa Kyodo.

O caso de Igarashi desencadeou a condenação de grupos culturais de distintas partes do mundo que o consideram uma grave violação à liberdade de expressão e também gerou uma campanha no portal de petições públicas Change.org, que recolheu milhares de assinaturas para que fosse libertada e ilibada.

O Código Penal japonês prevê uma pena máxima de até dois anos de prisão ou uma multa de até 2,5 milhões de ienes (19.640 euros), por distribuir material obsceno.

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