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Assad admite risco de invasão da Arábia Saudita ou da Turquia

O Presidente sírio, Bashar al-Assad, admitiu hoje o risco de invasão da Síria pela Arábia Saudita ou pela Turquia e sublinhou que o objetivo da batalha de Alepo (norte) é cortar o acesso à fronteira com a Turquia.

Bashar al-Assad é o presidente da Síria desde julho de 2000.

Bashar al-Assad é o presidente da Síria desde julho de 2000.

© Sana Sana / Reuters

Numa entrevista à agência France Presse em Damasco, Assad afirmou "não afastar" a possibilidade de uma invasão, mas assegurou que as suas forças armadas "vão confrontá-la".

Uma invasão "é uma possibilidade que não posso excluir pela simples razão de que Erdogan é alguém intolerante, radical, pró-Irmandade Muçulmana e que vive o sonho otomano. O mesmo se passa com a Arábia Saudita", disse.

"De qualquer maneira, uma tal ação não será fácil para eles e nós vamos com toda a certeza combatê-la", acrescentou.

Sobre a batalha em curso em Alepo, o Presidente sírio afirmou que "a batalha principal é cortar a estrada entre Alepo e a Turquia, porque a Turquia é a principal via de abastecimento dos terroristas".

Assad, que falou à agência na quinta-feira na primeira entrevista a 'media' ocidentais desde há dois meses, disse-se por outro lado determinado a recuperar o controlo sobre toda a Síria, mas admite que isso vai levar tempo.

"Não tem lógica dizer que há uma parte do nosso território a que renunciaremos", disse.

Questionado sobre se vai conseguir reconquistar todo o território, Assad respondeu: "Sejamos ou não capazes de o fazer, é um objetivo que perseguiremos sem hesitação".

Mas, acrescentou, o envolvimento no conflito de atores regionais "significa que a solução vai demorar muito tempo e ter um preço elevado".

Cerca de uma semana depois do fracasso das negociações de paz em Genebra, Bashar disse-se empenhado em negociar com a oposição desde que possa continuar a combater a rebelião armada.

"Desde o início da crise, acreditamos completamente nas negociações e na ação política. Mas negociar não significa deixar de combater o terrorismo. As duas vertentes são indispensáveis na Síria (...) A primeira vertente é independente da segunda", disse.

Bashar al-Assad recusou por outro lado a recente acusação da ONU de que o regime que dirige é responsável por crimes de guerra, acusando a organização internacional de "não dar qualquer prova" do que alega e de seguir "uma agenda política".

"As instituições da ONU (...) são essencialmente dominadas pelas potências ocidentais e maioria dos seus relatórios são politizados não apresentam provas", disse.

"Por isso não receio nem essas ameaças nem essas alegações", disse, quando questionado sobre se receia ser julgado por um tribunal internacional.

O Presidente sírio acusou ainda a Europa de ser uma "causa direta" da fuga dos civis sírios ao "dar cobertura aos terroristas" e "impor um embargo à Síria", apelando aos países europeus que "ajudem os sírios a regressarem ao seu país".

E advertiu especificamente França de que deve mudar as suas "políticas destrutivas" de apoio aos "terroristas", termo que utiliza habitualmente para designar a oposição ao regime.

Questionado sobre a cessação de funções do ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Laurent Fabius, Assad considerou que "a mudança de personalidades não tem verdadeiramente grande importância" e que é "a mudança de políticas" que conta.

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