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Motociclistas sequestram em Caracas camiões de bebidas para exigir alimentos

Cinco camiões que transportavam cerveja e Pepsi-Cola foram hoje sequestrados por motociclistas na Avenida Sucre, em Caracas, que pintaram nos veículos mensagens como "não queremos refrigerantes, queremos comida".

© Carlos Garcia Rawlins / Reute

O sequestro foi denunciado por utilisadores do Twitter e confirmado pelo grupo de Empresas Polar (EP, o maior grupo privado produtor e distribuidor de alimentos e bebidas do país), que condenou o sequestro.

"O EP denuncia o sequestro de cinco camiões que se encontravam a distribuir produtos de Cervejaria Polar e Pepsi-Cola Venezuela para atender clientes da zona oeste de Caracas", explica o grupo empresarial em comunicado.

Segundo o EP, "os transportadores foram intercetados violentamente por um grupo de motociclistas que impediram a distribuição dos produtos pedidos pelos consumidores da zona".

"Gritando palavras de ordem políticas, os motociclistas tomaram posse das chaves dos camiões, riscaram os veículos e despojaram os transportadores dos seus telemóveis. No local também se encontravam camiões de outras empresas", explica.

No comunicado, o grupo condena "estes atos violentos que geram mais soçobra na população venezuelana" e advertem que "esta a ação pode fazer parte de uma campanha sistemática de ataques contra Empresas Polar, através de distintos meios oficiais (estatais)".

Entretanto, os utilizadores do Twitter divulgaram imagens dos camiões, onde se viam mensagens pintadas como "- (menos) cerveja + (mais) alimentos, solta a comida, Lorenzo Mendoza (presidente de EP)", "Não queremos cerveja, queremos alimentos" e "não queremos refrigerantes queremos comida".

Na Venezuela são cada vez mais frequentes as queixas dos cidadãos sobre dificuldades para conseguir alguns produtos básicos, como o arroz, massa, farinha de trigo e de milho, café, açúcar, margarina, maionese ou leite em pó. Também tem havido falta de papel higiénico e de vários outros produtos de higiene pessoal.

Nas últimas semanas intensificaram-se as já tradicionais filas de clientes junto dos supermercados à procura de produtos que escasseiam no mercado local.

Estas filas, que os jornalistas estão proibidos de fotografar, estão a ser controladas pela Guarda Nacional (polícia militar) que algumas vezes tem que disparar balas de borracha para o ar a fim de dispersar a população e impedir situações de violência.

Lusa

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