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Ministro do Interior egípcio pede desculpa por abusos policiais

O ministro do Interior egípcio pediu hoje desculpa pelos abusos cometidos pelas forças policiais, poucos dias depois de um polícia ter matado um condutor após uma discussão, incidente que provocou a indignação da opinião pública egípcia.

Magdy Abdel Ghaffar, Ministro do Interior egípcio.

Magdy Abdel Ghaffar, Ministro do Interior egípcio.

© Amr Dalsh / Reuters

"Pedimos desculpa a todos os cidadãos que foram insultados", disse o ministro Magdy Abdel Ghaffar, numa conferência de imprensa transmitida pela televisão estatal egípcia.

"Pedimos desculpa pelos atos cometidos por certos polícias e a cada cidadão que tenha sido alvo de extorsão ou de qualquer insulto por parte da polícia", reforçou Abdel Ghaffar.

Na sexta-feira passada, manifestações foram realizadas perto da sede da polícia no Cairo na sequência da morte do condutor Mohamed Ismail, abatido por um polícia depois de uma discussão. Muitos egípcios também têm denunciado uma nova vaga de violência policial nas redes sociais.

Na mesma sexta-feira, o Presidente egípcio Abdel Fatah al-Sisi -- acusado pelas organizações de defesa dos Direitos Humanos de liderar um regime muito repressivo -- prometeu alterar uma lei para endurecer as sanções relacionadas com abusos policiais.

O Ministério Público egípcio anunciou, no domingo, que o polícia envolvido na morte do condutor vai ser julgado pelo crime de homicídio premeditado.

Os abusos policiais foram um dos motivos que provocaram a revolta popular que ditou a queda do regime autocrático de Hosni Mubarak no início de 2011.

Na mesma conferência de imprensa, Magdy Abdel Ghaffar afirmou que as autoridades estão a fazer "grandes esforços para esclarecer a morte misteriosa" do estudante italiano, Giulio Regeni, que foi encontrado morto nos arredores do Cairo no início de fevereiro, com sinais de tortura.

Desaparecido a 25 de janeiro no Cairo, o corpo mutilado deste estudante italiano de 28 anos foi encontrado a 03 de fevereiro numa fossa.

Ativistas dos Direitos Humanos e a oposição egípcia afirmam que Giulio Regeni, que estava a fazer uma tese sobre os movimentos e os sindicatos egípcios, foi detido pela polícia ou pelos serviços de informação egípcios que o torturaram para obter informações.

Os meios diplomáticos e a imprensa italiana têm igualmente abordado esta tese, rejeitada pelas autoridades do Cairo.

Lusa

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