sicnot

Perfil

Mundo

PSOE sem Podemos se fizer acordo com o Ciudadanos, avisa Iglesias

O secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, avisou hoje o PSOE de que não poderá contar com o apoio do seu partido, se os socialistas anunciarem um acordo de governo com o Ciudadanos (centro-direita), de Albert Rivera.

Pablo Iglesias, secretário-geral do Podemos.

Pablo Iglesias, secretário-geral do Podemos.

© Andrea Comas / Reuters

"Se [o líder socialista, Pedro Sánchez] anunciar um acordo de Governo com o Ciudadanos, então terá escolhido fazer a viagem com o PP [direita, no poder]" porque não terá votos suficientes para a investidura, afirmou Iglesias à rádio espanhola Cadena Ser.

Para o líder do Podemos - que evitou ser claro sobre se votaria a favor, contra ou optaria pela abstenção nesse cenário - esse eventual acordo significaria que o PSOE teria de negociar com o PP de Mariano Rajoy.

O PP foi o partido mais votado nas eleições espanholas de 20 de dezembro, elegendo 123 deputados. No entanto, ao não obter maioria absoluta abriu a porta a eventuais acordos pós eleitorais do PSOE (90 deputados).

O Podemos (69 deputados juntando as formações regionais que concorreram com o seu apoio) propôs ao PSOE um governo de coligação juntamente com a Izquierda Unida (comunistas), mas os socialistas - que preferem um governo apenas do PSOE com acordos parlamentares - disseram que negociariam com todas as forças menos com o PP de Rajoy.

Rajoy e o Ciudadanos de Albert Rivera defenderam após as eleições um "grande acordo" PP-PSOE e Ciudadanos, com liderança dos "populares". No entanto, o PSOE sempre recusou essa via, afirmando que a direita "perdeu as eleições", já que a maioria dos espanhóis votou em partidos que estavam na oposição.

Nas contas para uma investidura de Pedro Sánchez (a primeira votação é a 03 de março), o PSOE precisa do "Sim" do Ciudadanos (90 mais 40 deputados), mas simultaneamente da abstenção do Podemos ou do PP. Caso os socialistas optassem por uma coligação com o Podemos e com as suas forças regionais (En Marea, Compromís e En Comú Podem) somaria 159 votos, aos quais teria de juntar outros "sim" de pequenas forças para contrariar um "Não" certo do PP e um eventual "não" do Ciudadanos.

"Se [o PSOE] conseguir que o Ciudadanos se abstenha, bom trabalho, mas se o PSOE pensa que pode haver um governo negociando simultaneamente com o Ciudadanos e com o Podemos, nós dizemos que isso não é possível", alertou Iglesias.

Na segunda-feira foi precisamente isso que se passou, com quatro forças políticas de esquerda (PSOE, Podemos, Compromís e Izquierda Unida) a negociarem numa sala do Congresso dos Deputados, enquanto noutra Pedro Sánchez e Albert Rivera - em segredo e sem jornalistas por perto - acertavam pormenores de um eventual acordo de governo.

"Em política não se pode nadar e ficar a guardar a roupa [o equivalente ao ditado português "ter Sol na eira e chuva no nabal"] e pretender fazer acordos à esquerda e à direita", salientou Iglesias, acrescentando esperar que os dirigentes socialistas "não atraiçoem os seus militantes".

Lusa

  • Marcelo saúda "forma rápida" como Conselho de Ministros "tratou de tudo"
    1:03

    País

    O Presidente da República lembra que é preciso convergência de forma a adotar rapidamente as medidas mais urgentes do plano de emergência. No concelho de Tábua, Marcelo Rebelo de Sousa destacou ainda os esforços do Conselho de Ministros, mas lembrou que as medidas anunciadas são apenas o início de um processo e não o fim.