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Embaixadora portuguesa diz que aprovar governo na Líbia é urgente

A embaixadora portuguesa na Líbia, Isabel Pedrosa, considerou hoje ser urgente a aprovação do governo de unidade nacional, reconhecido pela comunidade internacional, para responder aos desafios do terrorismo, dos fluxos migratórios e da deterioração da situação humanitária no terreno.

© Bazuki Muhammad / Reuters

A Líbia atravessa "um momento particularmente delicado, dada a urgência que há em ser estabelecido este governo de unidade nacional, que é uma das componentes que foi assinada e negociada no âmbito do processo de mediação das Nações Unidas", disse a diplomata à Lusa, em Tunes, onde está atualmente.

"Há um conjunto de desafios que só podem ser confrontados com um governo de unidade", nomeadamente "a expansão terrorista [do grupo extremista Estado Islâmico], os fluxos migratórios e a deterioração gravíssima da situação humanitária".

Isabel Pedrosa chegou à Líbia em pleno período pós-revolução, em 2012, mas em julho de 2014, na sequência do ataque ao aeroporto da capital, Tripoli, retirou para a Tunísia, à semelhança das restantes embaixadas ocidentais e serviços das Nações Unidas.

Face ao agravamento da situação de segurança, que tem impossibilitado um regresso à Líbia, a capital tunisina, Tunes, assume-se desde então como "uma plataforma de trabalho" para a comunidade diplomática na Líbia.

O parlamento, em Tobruk (leste do país), tem adiado a votação do governo de unidade nacional, um impasse que é preciso ultrapassar.

"Todos os esforços nesta altura convergem para que a plenária do parlamento para votar o governo tenha lugar rapidamente porque é necessário ter um interlocutor único na Líbia e que ponha termo a esta situação, em que há dois governos, um sediado em Tobruk e outro em Tripoli, e dois parlamentos", sustentou.

"É necessário encontrar um interlocutor único, até para a comunidade internacional poder prestar a sua ajuda e ultrapassar todos os desafios que existem", sublinhou a embaixadora.

A comunidade internacional tem afastado o cenário de uma solução militar para esta crise, insistindo que a solução deve ser "política e de reconciliação", mas "está previsto que, se assim o governo o entender, possa pedir a assistência internacional nos moldes que venham a entender, mas isso é uma decisão das autoridades líbias".

A comunidade portuguesa também abandonou o país e os projetos e investimentos ficaram parados, à espera de um desfecho da crise.

Isabel Pedrosa relatou que em 2013 as trocas comerciais atingiram o melhor valor de sempre, próximos dos 50 milhões de euros, mas depois decaíram muito, embora se mantenha um fluxo comercial.

"Os laços já estão criados, os dois países, em termos empresariais e comerciais, já estão mutuamente no radar. Agora, é importante o regresso da estabilidade do país", considerou.

O regime de Muammar Khadafi caiu em 2011, na sequência de uma revolta popular, mas o país não conseguiu ainda instaurar um Estado de direito.

Aproveitando-se do caos político e ao nível da segurança que se instalou após a queda do regime, o Estado Islâmico ganhou terreno. A cidade de Sirte, nas margens do Mediterrâneo, tornou-se bastião dos 'jihadistas', 450 quilómetros a oeste de Tripoli e a menos de 300 da Europa.

Há mais de um ano e meio que a Líbia está dividida entre um governo reconhecido pela comunidade internacional exilado no leste e um outro sediado em Tripoli próximo de uma coligação de milícias, algumas das quais islamitas.

Nenhum deles tem sido capaz de travar o avanço dos 'jihadistas', num país que não tem uma Constituição desde o golpe de Estado de Kadhafi em 1969.

Embora a Líbia disponha das maiores reservas petrolíferas de África, calculadas em 48 mil milhões de barris, a sua produção caiu um terço desde 2011, quando era de cerca de 1,6 milhões de barris por dia.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 1,9 milhões dos seis milhões de líbios precisam de ajuda de emergência e o país tem falta de pessoal, de medicamentos e de vacinas.

Lusa

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