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Jornal de Angola acusa Portugal de "lançar na lama" nome de dirigentes angolanos

O Jornal de Angola denuncia hoje, em editorial, a "instrumentalização da Justiça portuguesa" para "lançar na lama" o nome de dirigentes angolanos, referindo-se em concreto à investigação envolvendo o vice-Presidente, Manuel Vicente.

O vice-presidente angolano Manuel Vicente

O vice-presidente angolano Manuel Vicente

© Carlo Allegri / Reuters

"Depois de tanto fracasso, voltam desta vez a atentar contra a honra, o bom-nome, a imagem e a reputação do vice-Presidente de Angola, procurando envolvê-lo em mais um escândalo de corrupção de tantos que atravessam hoje Portugal e a Europa e que revelam o estado de imoralidade e falta de integridade preocupante que se nota em alguns círculos do velho continente", aponta o editorial publicado no jornal estatal.

Intitulado de "Vingança de colono", o editorial afirma que "depois dos artifícios fracassados da desestabilização militar e da guerra" e que "depois de perderem no campo das eleições" e de "falharem no domínio bancário e económico", os "responsáveis da antiga metrópole colonial manipulam agora os corredores da Justiça para tentarem conseguir os seus intentos de neocolonização".

O vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, afirmou na quarta-feira, em comunicado, ser "completamente alheio à contratação" do procurador Orlando Figueira, para o setor privado, assim como a "qualquer pagamento" de que alegadamente aquele magistrado beneficiou.

"Sou completamente alheio, nomeadamente, à contratação de um magistrado do Ministério Público português para funções no setor privado, bem como a qualquer pagamento de que se diz ter beneficiado, conforme relatos da comunicação social, alegadamente por uma sociedade com a qual eu não tinha nenhuma espécie de relação, e que não era nem nunca foi subsidiária da Sonangol", afirmou.

O atual vice-Presidente de Angola reagia às notícias sobre o seu suposto envolvimento em factos relacionados com a investigação da "operação Fizz", conduzida pelas autoridades judiciárias portugueses, e que levou à detenção e prisão preventiva de Orlando Figueira, antigo procurador do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Na mesma nota enviada à Lusa, Manuel Vicente, antigo presidente da Sonangol, salientou que o seu envolvimento na investigação portuguesa "não tem, pois, qualquer fundamento", porém manifestou-se "totalmente disponível para o esclarecimento dos factos (...), de modo a pôr termo a qualquer tipo de suspeições".

Manuel Vicente acrescentou que as notícias divulgadas pela comunicação social sobre o seu alegado envolvimento na "operação Fizz" não correspondem à verdade e "atentam gravemente" contra o seu bom nome, honra, imagem e reputação.

"A reação de grande dignidade de Manuel Vicente face à nova campanha que contra si foi arremessada pela comunicação social portuguesa, respondendo cabalmente às alegações da 'Operação Fizz' postas a circular pela Procuradoria-Geral da República de Portugal e manifestando a sua total disponibilidade para esclarecer factos que lhe são atribuídos é suficiente para compreender este novo episódio como mais um exemplo, tanto da falta de pudor, como do revanchismo luso", lê-se no editorial do Jornal de Angola.

O texto alega ainda "recalcamentos não curados e a precisar de urgente tratamento psicanalítico", para concluir que as "razões pelas quais a magistratura portuguesa se deixa corromper por meia dúzia de tostões devem ser encontradas no sistema generalizado de clientelismo e no tipo de relações morais e culturais historicamente implantadas na vida portuguesa".

Lusa