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Mais um ataque contra autocarro no centro de Moçambique

Homens armados alvejaram hoje um autocarro da companhia Nagi Investiment na zona de Zero, província da Zambézia, centro de Moçambique, disseram à Lusa habitantes locais, indicando a existência de feridos.

Este é o segundo ataque envolvendo a mesma transportadora em menos de três dias, após duas pessoas terem morrido e outras oito ficado feridas numa emboscada no sábado em Honde, distrito de Barué, província de Manica.

"No Zero [distrito de Mopeia] o autocarro foi mandado parar e não parou. Então foi atingido com balas", disse à Lusa um morador da região, sem detalhes sobre os atacantes ou o número de feridos, descrevendo apenas que algumas pessoas foram encaminhadas para assistência hospitalar.

Segundo outra fonte local ouvida pela Lusa, o autocarro fazia a ligação entre Nampula, norte de Moçambique, e Maputo, no sul, e, depois de metralhado, não parou a marcha e prosseguiu em direção a Caia, um dos pontos sujeitos a escoltas militares obrigatórias a viaturas civis,

Nenhum elemento da polícia moçambicana na Zambézia esteve disponível para prestar informações.

Contactada pela Lusa, uma fonte da ala militar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) acusou hoje a empresa Nagi Investiment de transportar militares das Forças de Defesa e Segurança para as regiões centro e norte de Moçambique.

A Lusa tentou em vão contactar a transportadora na Zambézia.

Os novos ataques nas estradas do centro de Moçambique acontecem numa altura em que o Presidente moçambicano dirigiu um convite ao líder da Renamo para a retoma do diálogo, pedindo ao maior partido de oposição "máxima urgência" na designação dos seus representantes para preparar um encontro ao mais alto nível.

Em resposta, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, condicionou hoje a retoma do diálogo com o Presidente moçambicano à aceitação de um grupo de mediadores constituído pelo Governo sul-africano, Igreja Católica e União Europeia.

Na sexta-feira, a Renamo acusou o Governo de ter mobilizado 4.500 membros das Forças de Defesa e Segurança para uma ofensiva em grande escala nas províncias de Manica e Sofala, centro do país, regiões que têm estado sob forte tensão militar.

A instabilidade em Moçambique tem vindo a deteriorar-se, com acusações mútuas de ataques armados, raptos e assassínios de dirigentes políticos, além de milhares de pessoas da província de Tete em fuga para o vizinho Malaui.

Nas últimas semanas, foram registados ataques a colunas de veículos civis escoltadas pelos militares atribuídos à Renamo, em dois troços da N1, a principal estrada de Moçambique, na província de Sofala, mas há relatos de incidentes noutros pontos do país.

O diálogo entre Governo e Renamo está bloqueado há vários meses, levando o líder da oposição, Afonso Dhlakama, a ameaçar tomar o poder nas seis províncias onde reclama vitória nas últimas eleições gerais.

Lusa

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