sicnot

Perfil

Mundo

Europa lança missão a Marte com tecnologia portuguesa

Portugal inicia hoje uma viagem até Marte, com o lançamento da primeira de duas missões europeias, para procurar sinais de vida no planeta, levando a bordo tecnologia de empresas portuguesas.

(arquivo)

(arquivo)

reuters

O lançamento está marcado para as 09:31 de Lisboa, a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, e enquadra-se no programa de exploração robótica de Marte, o ExoMars, uma colaboração entre as agências espaciais europeia (ESA) e russa (Roscosmos).

Dentro de um foguetão russo Proton-M, seguem um satélite e um módulo de entrada, descida e aterragem em Marte. Ambos têm componentes made in Portugal.

O plano de voo prevê que o satélite, o TGO, se separe do foguetão ao fim de dez horas e meia, e abra os painéis solares que lhe vão dar energia para continuar a viagem e se manter, depois, na órbita de Marte.

De acordo com a ESA, só a 16 de outubro, depois de entrar na órbita do planeta, é que o satélite se separa do módulo, o 'Schiaparelli', que deverá entrar na atmosfera marciana e aterrar na superfície passados três dias.

O ExoMars inclui uma segunda missão, que prevê o envio para Marte, em 2018, de um veículo robotizado, o primeiro europeu no planeta, que vai andar na superfície e recolher e analisar amostras do subsolo que possam conter marcadores biológicos de vida passada, ou até presente.

Tal como a primeira missão, ExoMars 1, a segunda missão, ExoMars 2, reúne contributos tecnológicos de empresas portuguesas, ou de especialistas portugueses que trabalham em empresas estrangeiras. As empresas estão integradas num consórcio internacional liderado pela Thales Alenia Space Italia, que agrega companhias de mais de 20 países.

Pela segunda vez, a ESA, da qual Portugal é um dos países-membros, vai colocar um aparelho na órbita de Marte, para estudar o planeta, depois de ter enviado, em 2003, a sonda Mars Express, que confirmou, em 2007, a existência de água, perto do Polo Sul.

Com uma 'esperança de vida' de cinco anos, o Trace Gas Orbiter (TGO) vai procurar gases rarefeitos na atmosfera de Marte, em particular metano, um indicador de que pode haver, ou ter havido, vida no 'planeta vermelho'.

Coube à empresa Critical Software, com sede em Coimbra, zelar pelo bom funcionamento do satélite e à HPS Portugal, do Porto, proteger, do ponto de vista térmico, os seus instrumentos.

Já a Active Spaces Technologies, também de Coimbra, teve a seu cargo os estudos térmicos que estiveram na base da avaliação e seleção dos locais de aterragem do módulo 'Schiaparelli'.

O módulo, que servirá à Europa para testar a tecnologia de entrada, descida e aterragem em Marte, em segurança, a pensar em futuras missões humanas no planeta, vai pousar numa pequena região plana, próxima do equador, a Meridiani Planum, que, creem os cientistas, pode ter indícios de que houve água, elemento essencial à vida, na superfície marciana num passado longínquo.

O equipamento, que tem uma forma cónica e pesa 600 quilos, chama-se 'Schiaparelli', em homenagem ao astrónomo italiano Giovanni Virginio Schiaparelli (1835-1910), que criou um mapa de Marte, com 'mares' e 'continentes', a partir de observações telescópicas.

A HPS Portugal também assegurou o isolamento térmico, em múltiplas camadas, do módulo. Sem esse revestimento, os seus componentes não sobreviveriam à viagem desde a Terra e não funcionariam na superfície de Marte, planeta com amplitudes de temperatura muito elevadas.

O 'Schiaparelli', que vai entrar na atmosfera de Marte e descer à superfície do planeta a uma velocidade de 21 mil quilómetros por hora, estará operacional apenas durante poucos dias, mas, nos seis minutos que demorará a sua descida, vai poder recolher dados adicionais, em especial da atmosfera, rica em dióxido de carbono, que serão enviados para Terra via satélite.

O custo total do programa ExoMars foi inicialmente estimado, pela ESA, em 1,2 mil milhões de euros. Em janeiro, o diretor-geral da agência espacial europeia, Jan Wörner, admitiu, no entanto, ser necessário mais dinheiro, apelando a um esforço financeiro dos países-membros com forte presença nas duas missões: Itália, França, Reino Unido e Alemanha.

Lusa

  • Salah Abdeslam deixa cadeira vazia na leitura da sua sentença
    2:05

    Mundo

    O único suspeito vivo dos ataques de Paris em 2015 foi esta segunda-feira condenado a 20 anos de prisão por um tribunal belga, num processo paralelo: um tiroteio em março de 2016, em Bruxelas. Tanto Salah Abdeslam como o cúmplice não quiseram estar na leitura da sentença. O julgamento de Salah Abdeslam pelos ataques de Paris só deverá acontecer no próximo ano, em França.

  • Beyoncé e a irmã caem no Coachella e o vídeo torna-se viral

    Cultura

    Beyoncé voltou este fim de semana a subir ao palco do Coachella, depois de ter atuado na primeira semana do festival que decorreu no deserto da Califórnia, nos EUA. A cantora norte-americana voltou a brilhar, mas foi o momento em que caiu no palco com a irmã, Solange, que acabou por se tornar viral.

    SIC

  • Cientistas querem sequenciar genomas de 15 milhões de espécies

    Mundo

    Um consórcio internacional de cientistas, que por enquanto não inclui portugueses, propõe-se sequenciar, catalogar e analisar os genomas (conjuntos de informação genética) de 15 milhões de espécies, uma tarefa que levará dez anos a fazer, foi divulgado esta segunda-feira.