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PAICV perde eleições em Cabo Verde e sai do poder após 15 anos

O Movimento para a Democracia (MpD) venceu as eleições legislativas de domingo em Cabo Verde em todos os círculos eleitorais do arquipélago, interrompendo um ciclo de três maiorias absolutas consecutivas do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV).

Ulisses Correia e Silva

Ulisses Correia e Silva

MÁRIO CRUZ/LUSA

Quando estão apurados os resultados de 1.153 das 1.241 mesas e falta a eleição dos seis deputados que representam as comunidades no estrangeiro, o MpD, liderado por Ulisses Correia da Silva, conseguiu 37 dos 72 assentos parlamentares, menos um do que o total de deputados que o PAICV conseguiu na sua maioria absoluta de 2011.

O PAICV elegeu 26 deputados e a União Cabo-Verdiana Democrática e Independente (UCID) três.

Em termos de votos expressos, o MpD conseguiu em Cabo Verde 119.401 votos (53,7%), o PAICV 82.246 (37%) e a UCID 15.438 (6,9%).

Em 2011, a diferença de votos entre o partido vencedor (PAICV) e o derrotado (MpD) foi de cerca de 23 mil votos, sendo que nestas eleições, quando ainda falta apurar os votos da diáspora, o MpD tem já uma vantagem de 37 mil.

O MpD tira assim do poder o PAICV, que governou Cabo Verde nos últimos 15 anos, sob a liderança de José Maria das Neves.

O resultado das eleições de domingo é surpreendente, porque apesar de não haver sondagens independentes, havia dados que apontavam que nenhum dos partidos conseguiria maioria absoluta.

De acordo com os dados oficiais, a abstenção foi de 33,4%, acima dos 23,9% das últimas legislativas.

O MpD ganhou em todos os círculos eleitorais, sendo a vitória mais significativa a conquista de três deputados na ilha do Fogo, tradicional bastião do PAICV.

A líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, reconheceu a derrota e felicitou o líder do até agora principal partido da oposição (MpD).

Em declarações à imprensa, Janira Hopffer Almada disse que "respeita o veredicto do povo" e que nos próximos dias vai convocar o Conselho Nacional do partido para analisar os resultados.

Mas assumiu "as responsabilidades da derrota", prometendo fazer uma "oposição construtiva".

Por seu lado, o presidente do MpD e futuro primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, dedicou a vitória a todos os cabo-verdianos e prometeu começar a trabalhar "imediatamente para pôr o país na rota do crescimento económico".

"A minha primeira tarefa será pôr de pé um programa de emergência para podermos dar respostas concretas aos problemas que os cabo-verdianos sofrem neste momento e à expectativa que foi criada", disse Ulisses Correia e Silva durante o discurso de vitória, na sede nacional do MpD, na cidade da Praia.

Ulisses Correia e Silva, que falou tendo como som de fundo os efusivos festejos dos militantes do MpD que enchiam as ruas junto à sede do partido, considerou que "esta é uma vitória para começar um novo ciclo, um ciclo de novas soluções" para Cabo Verde.

O futuro primeiro-ministro reforçou também os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral de que governará para todos os cabo-verdianos e agradeceu a todas as ilhas pela "grande vitória", deixando uma saudação especial à ilha do Fogo, onde o MpD venceu pela primeira vez.

O líder do MpD seguiu depois para a zona da Quebra Canela, reabilitada durante os seus mandatos na câmara da Praia, para festejar a vitória com os apoiantes.

Já o líder da UCID, terceira força política mais votada, reconheceu que o partido falhou o objetivo de acabar com a bipolarização partidária em Cabo Verde.

"A UCID não evitou a maioria absoluta. É nosso entendimento que funcionou a lógica do voto útil. Os eleitores, com medo de terem o PAICV mais uma vez no poder, resolveram, de uma maneira forte, votar no MpD, 'prejudicando' a UCID", reagiu António Monteiro, no domingo à noite, na sede do partido na ilha de São Vicente.

A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) elegeu três deputados ao parlamento, mais um do que em 2011, todos pelo círculo eleitoral de São Vicente.

Mesmo assim, António Monteiro disse que foi uma derrota para a UCID, que ambicionava conseguir os cinco deputados necessários para constituir um grupo parlamentar.

Lusa

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