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Ativista angolano Nuno Dala para greve de fome quando lhe forem devolvidos os livros

O ativista angolano Nuno Dala, há 34 dias em greve de fome, disse hoje que vai continuar o protesto até que lhe sejam devolvidos alguns bens confiscados.

PAULO JULI\303\203O

Em declarações hoje à imprensa, Nuno Dala, que realiza a greve de fome desde o passado dia 10 de março, essencialmente para exigir acesso às suas contas bancárias, disse que não recebeu também ainda das autoridades garantias de que os obstáculos estão ultrapassados.

"Parte dos bens foram entregues à minha irmã. Entretanto, de acordo com aquilo que é o conjunto das minhas exigências que me levaram a fazer a greve, o meu nível de satisfação não é total, é parcial", afirmou o também professor universitário.

Nuno Dala, que integra o grupo de 17 ativistas angolanos condenados pelos crimes de atos preparatórios de rebelião e por associação de malfeitores, disse ainda que os livros e cadernos apreendidos, ainda em posse das autoridades são de extrema importância para si, por isso exige a sua devolução.

"A minha maior preocupação com relação a esses bens incide sobretudo nos livros e cadernos, os cadernos contêm registos que são extremamente importantes para aquilo que foi a minha vivência durante os quatro meses que estive em prisão preventiva no estabelecimento que mencionei", explicou Nuno Dala, numa referência à prisão de Caquila.

O ativista de direitos humanos sublinhou também que "embora esteja relativamente satisfeito em relação aos bens que já foram entregues", vai continuar a exigir que lhe sejam devolvidos os 38.500 kwanzas (205 euros) que se encontravam na sua mochila no dia da sua detenção, a 20 de junho de 2015.

"Não sendo muito dinheiro poderia prescindir desse valor, mas isso não vai acontecer. Não se trata apenas de exigir que me devolvam aquilo que o Estado me retirou, mas trata-se de, de forma simbólica, deixar bastante clara a mensagem que o Estado não deve abusar das suas prerrogativas constitucionalmente consagradas e usá-las para abusar, violar, dar golpes, aos direitos de liberdade dos cidadãos", frisou.

"A anulação da greve de fome depende de as autoridades devolverem o dinheiro e os bens culturais, das autoridades garantirem que efetivamente doravante aqueles obstáculos que me foram impostos abusivamente impossibilitando-me de ter acesso, ou por procuração ou de uma forma legalmente prevista, às minhas contas, porque antes da prisão tinha vários empregos e por esta forma me sustentava e à minha família", acrescentou.

Quanto ao seu estado de saúde, Nuno Dala disse-se estável, apesar de debilitado, realçando o empenho da equipa médica que o assiste.

"Se eu disser que tenho sido mal tratado estarei a mentir e a ser desonesto com os senhores, Angola e o mundo. Posso dizer que tenho sido alvo de um tratamento bom", salientou.

Lusa

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