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Polícias suspeitos de envolvimento no desaparecimento de 43 estudantes mexicanos

Dois polícias federais mexicanos participaram alegadamente no desaparecimento de 43 estudantes, garantiu hoje a Comissão Nacional de Direitos Humanos, implicando pela primeira vez agentes nacionais neste caso ocorrido em 2014.

6 de novembro de 2014: Fotografias dos 43 estudantes desaparecidos no México

6 de novembro de 2014: Fotografias dos 43 estudantes desaparecidos no México

© Henry Romero / Reuters

O anúncio deu uma nova guinada a uma investigação que tem estado sob críticas de grupos internacionais de direitos humanos e investigadores independentes.

Jose Larrieta Carrasco, um membro da Comissão que está a investigar o caso, afirmou que as autoridades iriam agora olhar para "uma nova estrada no desaparecimento" dos estudantes.

O gabinete do procurador-geral já acusou agentes da polícia municipal de envolvimento no rapto massivo, ocorrido na cidade de Iguala, no sul do país, em 26 e 27 de setembro de 2014.

Mas esta comissão governamental garantiu ter localizado uma testemunha que viu dois agentes federais próximo do tribunal de Iguala, onde agentes municipais pararam um autocarro que transportava 15 a 20 estudantes.

A comissão avançou igualmente que outro departamento de polícia local, da cidade de Huitzuco, teve uma intervenção, até agora desconhecida, nos desaparecimentos.

Este autocarro era um de cinco que tinham caído sob controlo dos estudantes, para uso em protestos futuros. Os polícias de Iguala dispararam sobre o autocarro antes que os estudantes desaparecessem.

A comissão adiantou que a polícia disparou sobre os pneus do autocarro, que parou perto do tribunal, após o que os estudantes lançaram pedras sobre os agentes.

Os agentes colocaram os estudantes em vários veículos, incluindo três de Huitzuco.

Quando os agentes federais chegaram, perguntaram o que estava a acontecer.

Um polícia de Iguala afirmou que os estudantes iriam ser enviados para Huitzuco, onde "o chefe" -- possivelmente membro de um cartel de traficantes de droga -- iria "decidir o que fazer com eles", ainda segundo a comissão.

Os agentes federais responderam "Ah, ok, está bem", e autorizaram a polícia local a levar os estudantes.

A comissão entendeu que há provas suficientes para "presumir a participação de membros da polícia municipal de Huitzuco e agentes da polícia federal" no desaparecimento, adiantando que possui o nome de um dos agentes federais, que já passou aos investigadores.

O gabinete do procurador-geral declarou no ano passado que agentes policiais de Iguala e da cidade vizinha de Cocula raptaram os estudantes e depois entregaram-nos ao cartel designado Guerreros Unidos.

O cartel depois teria matado os estudantes, incinerado os corpos numa lixeira em Cocula e lançado os restos mortais num rio situado nas proximidades.

Mas peritos da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que realizaram uma investigação independente, defenderem que não há provas científicas de que os 43 estudantes tenham sido incinerados na lixeira.

O caso tem constituído o maior desafio ao governo do Presidente Enrique Pena Nieto, provocando protestos e causando a queda da sua popularidade.

Lusa