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Governador do BNA diz que banca angolana está a ficar "à margem" do sistema financeiro mundial

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Valter Filipe, reconheceu hoje que a banca nacional está a ser colocada "à margem" do sistema financeiro mundial, defendendo a urgência em credibilizar o setor.

© Stringer . / Reuters

O governador falava durante a intervenção na inauguração, em Luanda, do primeiro balcão do Millennium Atlântico, que resultou da fusão das duas instituições, numa aparente alusão à falta de acesso dos bancos angolanos ao circuito internacional de divisas, por dúvidas dos reguladores internacionais sobre credibilidade das instituições angolanas.

Para Valter Filipe, é necessário colocar "ética e moral" na banca angolana, devendo esta ser colocada ao "serviço do bem comum".

"Devemos fazê-lo implementando em Angola as normas prudenciais e as boas práticas nacionais e internacionais, e todas as normas de combate ao branqueamento de capitais e de financiamento ao terrorismo, porque estamos a ficar numa situação em que está a ser colocado o sistema financeiro angolano à margem do sistema financeiro mundial. E isto é grave para a prosperidade das nossas famílias", apontou.

"A dignidade de um povo, de um Estado, é suportada pela reputação e pela credibilidade das pessoas que guardam o dinheiro deste país", sustentou, defendo o "caminho da ética, da credibilidade e da reputação do sistema financeiro" angolano.

Angola vive desde final de 2014 uma profunda crise financeira, económica e cambial, devido à quebra para metade nas receitas com a exportação de petróleo, o que também levou à forte restrição no acesso a divisas, dificultando importações e transferências para o estrangeiro.

"O pensamento político estratégico de Angola entende que o sistema financeiro angolano, que foi e é robusto, que foi e ainda é um grande sistema financeiro, tem que estar ao serviço da prosperidade das famílias angolanas. Nós não podemos ter um grande sistema financeiro, não podemos ter grandes instituições financeiras, instituições robustas, se tivermos a grande maioria das famílias angolanas pobres, paupérrimas, como hoje se vê", disse ainda o governador do BNA.

O Fundo Monetário Internacional anunciou a 06 de abril que Angola solicitou um programa de assistência para os próximos três anos, cujos termos foram debatidos nas reuniões de primavera, em Washington, prosseguindo durante uma visita ao país, em maio.

O ministro das Finanças de Angola, Armando Manuel, esclareceu entretanto que este pedido será para um Programa de Financiamento Ampliado para apoiar a diversificação económica a médio prazo, negando que se trate de um resgate económico.

Numa altura em que se agravam as dificuldades das famílias angolanas, Valter Filipe foi hoje ainda mais longe, ao pedir responsabilidades à banca.

"A pobreza das famílias e do povo deve ser suportada pelo sistema financeiro. Nós não podemos ter servidores da banca com uma dimensão e grandiosidade quando temos a generalidade de um povo nas condições em que temos, por isso a nossa estratégia, e esta é a missão que nos foi apresentada, é fazer com que possamos repor a ética e a moral na vida da atividade financeira", concluiu.

Lusa

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