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Irmã de Luaty Beirão confirma greve de fome, silêncio e regime de nudez

O ativista luso-angolano Luaty Beirão está em greve de fome, em silêncio e no regime de nudez como forma de protesto contra a transferência do local de detenção, disse hoje à agência Lusa, em Lisboa, a sua irmã.

Serena Mancini, à margem de uma sessão pública da sociedade civil portuguesa em solidariedade com os 17 ativistas detidos em Angola, disse que o irmão não queria ser transferido, uma vez que tencionava denunciar várias ilegalidades e violações dos direitos humanos na prisão onde estava detido, na comarca de Viana, em Angola.

"O meu irmão foi transferido hoje para o hospital-prisão de São Paulo (em Luanda). Ele não queria ir, queria continuar na comarca de Viana para poder denunciar certas situações ilegais que se estão a passar lá. Foi levado hoje de manhã à força, pelo que soube", contou Serena Mancini à Lusa.

"Chegou lá e começou a fazer o protesto de fome, silêncio e nudez. Recusou-se a receber a comida que um familiar lhe levou e é isso que sabemos até agora. Disseram-me que quando ele negou a comida ele estava nu, deitado na cela e sem dizer uma palavra", acrescentou.

Luaty Beirão, um dos rostos mais visíveis na contestação ao regime do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, foi condenado a 28 de março a uma pena total de cinco anos e meio de cadeia, que começou a cumprir no mesmo dia, por decisão do tribunal, apesar dos recursos da defesa.

Ao todo, dos 17 ativistas condenados neste processo por atos preparatórios para uma rebelião e associação de malfeitores, e a cumprirem pena, 12 foram concentrados nos últimos dias - processo concluído na quarta-feira - no Hospital-Prisão de São Paulo, em Luanda.

Sobre o evento, promovido na sequência de uma petição subscrita por 239 personalidades, entre políticos, escritores, jornalistas, músicos, humoristas e historiadores, a irmã de Luaty Beirão destacou a importância da iniciativa, uma vez que chegam aos detidos através de vários relatos, permitindo-lhes "aguentar a situação".

"É muito importante ver que as pessoas continuam a apoiar a causa, continuam a aparecer nestes eventos e a falar sobre isso. É importante sentir que as pessoas se importam, que estão atentas, porque isso também é uma forma de pressionar as autoridades de Angola", sublinhou.

"Eles (os detidos) sentem isso, têm os relatos cá de fora, sabem que as pessoas estão atentas, que estão a apoiar e isso é muito importante para eles também, porque faz com que eles aguentem a situação", frisou.

Lusa

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