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Presidente da Venezuela ordena detenção de proprietários de fábricas paradas

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou hoje às autoridades que assumam o controlo de fábricas que pararam de produzir e detenham os proprietários, um dia depois de declarar o estado de emergência económica no país.

© Handout . / Reuters

"Temos que tomar todas as medidas para recuperar a capacidade produtiva, que está a ser paralisada pela burguesia", disse Maduro numa manifestação em Caracas.

"Quem quiser parar (a produção) para boicotar o país, deve sair, e aqueles que assim o fizerem devem ser algemados e enviados para a penitenciária geral venezuelana", disse.

Nicolás Maduro anunciou também a realização de exercícios do exército para responder a qualquer cenário de ameaça externa.

Entretanto, a oposição venezuelana advertiu contra o "risco de explosão" no país, caso não conseguisse organizar um referendo para revogar o mandato presidencial.

"Se fecharem a via democrática, não sabemos o que se poderá passar neste país. A Venezuela é uma bomba que pode explodir a qualquer momento", declarou o líder da oposição Henrique Capriles, apelando para "a mobilização popular" para conseguir o afastamento de Maduro.

Capriles falava perante milhares de pessoas concentradas na zona leste de Caracas, na sequência de um apelo da coligação da oposição Mesa para a Unidade Democrática (MUD), maioritária no parlamento.

O estado de exceção e emergência económica autoriza a apropriação pelo governo dos bens do setor privado para garantir o abastecimento de produtos básicos, o que abre - na opinião dos opositores - caminho a novas expropriações.

A Venezuela, cujas reservas de petróleo são das maiores no mundo, foi atingida pela queda das cotações, através das quais garante 96% das suas divisas.

Em 2015 e pelo segundo ano consecutivo, o país registou uma subida de 180,9% dos preços e uma descida do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,7%.

Além da crise económica, a Venezuela vive uma crise política entre um governo 'chavista' (do nome do antigo presidente Hugo Chávez, 1999-2013) e um parlamento dominado pela oposição.

A crise agravou-se depois de a oposição ter conseguido, no final de maio, 1,8 milhões de assinaturas a favor do referendo, que quer realizar antes do fim do ano, para afastar Maduro.

Se o referendo decorrer antes de 10 de janeiro próximo e se o "sim" vencer, teriam que ser organizadas novas eleições.

Mas a partir de 10 de janeiro, qualquer referendo só levará a uma solução, a substituição de Maduro pelo vice-presidente Aristobulo Isturiz, do mesmo partido.

De acordo com uma sondagem recente, 66% dos venezuelanos querem que Maduro, eleito em 2013 para um mandato de seis anos, abandone o cargo e que se realizem novas eleições.

Lusa

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