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Quatro novas espécies de rã descobertas em Moçambique

Quatro novas espécies de rã foram encontradas em Moçambique, revelou à Lusa o biólogo moçambicano Harith Farooq, autor de uma das descobertas e que espera encontrar mais casos inéditos para a ciência.

Uma das quatro novas espécies de rã que foram encontradas em Moçambique.

Uma das quatro novas espécies de rã que foram encontradas em Moçambique.

Harith Farooq/ Lusa

Os resultados do estudo de uma equipa de cientistas provenientes de vários países foram publicados na revista Molecular Phylogenetics and Evolution em março e dão conta da descoberta de quatro novas espécies de anfíbios em sistemas montanhosos no centro e norte de Moçambique.

Uma das descobertas foi realizada na área de conservação de Taratibu, em Cabo Delgado, por Harith Farooq, diretor da Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Lúrio, com sede em Pemba, norte de Moçambique, e um dos autores do estudo.

"A análise molecular do ADN foi feita na Suíça, na Universidade de Basileia, onde se confirmou efetivamente tratar-se de uma espécie nova", referiu o biólogo à Lusa, descrevendo "uma rã de pequenas dimensões e que vive na vegetação e nos charcos assentes nas encostas rochosas das montanhas".

O passo seguinte, segundo Farooq, é descrever as espécies, pertencentes ao género Nothophryne, e atribuir-lhes um nome, que, no caso da descoberta feita pelo docente da Universidade Lúrio, deverá ser Nothophryne uniluriensis.

As restantes descobertas, documentadas no estudo por investigadores da África do Sul, Reino Unido, Irlanda, Suíça e Itália, ocorreram nas províncias da Zambézia, centro de Moçambique, e Nampula, no norte, e foram comparadas geneticamente com outras espécies conhecidas de vários géneros, incluindo o Nothophryne.

Através das análises moleculares, os autores acreditam que cada sistema montanhoso corresponda a uma espécie diferente, uma teoria sugerida por "evidentes diferenciações morfológicas", além das genéticas, das populações.

Os investigadores dão o exemplo da rã de Taratibu, que manifesta diferenças de pele no dorso por comparação com as de Namuli, Inago e Ribáuè, nomes dos locais das recentes descobertas nas províncias da Zambézia e Nampula.

No estudo, os autores alertam para a necessidade de mais investigação sobre a distribuição do género Nothophryne e também para a degradação dos habitats, nomeadamente a desflorestação para a prática da agricultura, o que leva a que aquelas espécies "enfrentem uma séria ameaça de desaparecimento".

A reserva de Taratibu, em Cabo Delgado, é, desde o ano passado, uma estação de campo da Faculdade de Ciências Naturais da Universidade Lúrio.

"Trata-se de uma área com grande potencial para descobertas na área da biodiversidade e de onde esperam mais novas espécies para a ciência", assinalou à Lusa Harith Farooq.

Além da espécie já confirmada de rã em Taratibu, o investigador moçambicano avançou que um outro anfíbio e um camaleão foram encontrados no mesmo local e que decorrem os testes genéticos para se confirmar que são igualmente novos para a ciência.

Lusa