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Líderes estudantis de Hong Kong boicotam vigília de Tiananmen pela primeira vez

Os líderes estudantis de Hong Kong vão, pela primeira vez, estar ausentes da vigília anual em memória do massacre de Tiananmen, há 27 anos, avança hoje a imprensa local.

Vigília anual em memória do massacre de Tiananmen, 4 de junho de 2014.

Vigília anual em memória do massacre de Tiananmen, 4 de junho de 2014.

© Paul Yeung / Reuters

Quebrando uma tradição de várias décadas, a Federação de Estudantes de Hong Kong, o grupo estudantil mais antigo que coliderou o movimento Occupy Central em 2014, não vai enviar representantes para falarem no palco durante o evento que ocorre no Victoria Park a 04 de junho, segundo o jornal South China Morning Post.

A Federação decidiu, no mês passado, romper com os organizadores, a Aliança de Hong Kong de Apoio dos Movimentos Democráticos Patrióticos da China. O líder do grupo de estudantes indicou que alguns dos membros consideram que não devem apoiar um dos principais objetivos da Aliança, a "construção de uma China democrática", devendo focar-se no desenvolvimento democrático da cidade.

A alteração foi confirmada na segunda-feira pelo presidente da Aliança, Albert Ho, que disse respeitar a opção dos estudantes, apesar de a lamentar.

"A Federação tem sido pioneira e a consciência de todo o movimento. Por isso, agora que os estudantes desistiram, não posso dizer que não esteja triste", afirmou.

Um crescente número de jovens e grupos 'localistas' têm apelado, nos últimos anos, ao boicote da vigília no Victoria Park, incentivando a participação em eventos alternativos. Alguns argumentam que o desenvolvimento democrático da China é algo que não lhes diz respeito, enquanto outros se manifestam insatisfeitos com o ritual da vigília.

Os líderes estudantis da Universidade de Hong Kong vão, este ano, organizar um evento em separado no seu próprio campus para assinalar o massacre, enquanto membros de mais de dez outras instituições de ensino superior da cidade vão reunir-se na Universidade Chinesa na noite de 04 de junho para abordar o futuro de Hong Kong depois de 2047, quando expira o princípio "Um país, dois sistemas".

"Achamos que ter mais eventos em Hong Kong passa uma imagem mais forte para Pequim", disse Paul Liu Chun-sing, vice-presidente externo da associação de estudantes da Universidade Shue Yan, afirmando que os representantes estudantis concordaram em não cantar o slogan "construindo uma China democrática".

Albert Ho manifestou o desejo de Hong Kong se manter unida para a ocasião: "Nunca na história humana centenas de milhares de pessoas se reuniram no mesmo local, na mesma data, para fazer a mesma exigência contra ditadura".

"A concentração de 04 de junho no Victoria Park tem um significado simbólico", disse.

Lusa

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