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Conselho de Segurança da ONU analisa hoje situação na Síria

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se esta sexta-feira para analisar a situação humanitária na Síria e a possibilidade de levar a cabo operações de lançamento aéreo de ajuda sobre algumas cidades sitiadas.

© Mike Segar / Reuters

O encontro vai ser realizado à porta fechada e contará com a presença do responsável máximo das Nações Unida para as questões da ajuda humanitária, Stephen O'Brien, assim como do mediador da ONU para a Síria, Staffan de Mistura.

O encontro foi revelado pelo embaixador francês junto das Nações Unidas, François Delattre, cujo país preside este mês ao Conselho de Segurança, e fez a defesa da realização destas operações, "em todas as zonas em necessidade, especialmente em Daraya, Moadamiyeh e Madaya, onde as populações civis, incluindo crianças, correm o risco de morrer à fome", declarou o diplomata, citado pela agência France Presse.

"É muito claro que o acesso livre [a estas cidades] não está assegurado. Nestas circunstâncias, a França pede às Nações Unidas, e em particular ao Programa Alimentar Mundial (PAM), que organizem operações de lançamento de ajuda humanitária em todas as zonas em necessidade", disse Delattre.

No passado dia 17 de abril, o chamado Grupo Internacional de Apoio à Síria (ISSG, na sigla em inglês) concordou que, se em 1 de junho, continuasse o impedimento do acesso dos comboios de ajuda humanitária às áreas sitiadas, o PAM iniciaria um programa de abastecimento aéreo de ajuda a estas populações.

Este tipo de operações, nas quais aviões a grande altura deixam cair provisões, são consideradas pelas Nações Unidas como um último recurso, dada a sua complexidade, perigosidade e elevados custos.

Hoje, precisamente quando este prazo dado pelas potências internacionais chegava ao fim, o Governo sírio autorizou a entrada de camiões com ajuda humanitária em duas localidades que mantém sitiadas, nos arredores da capital, Damasco: Daraya e Moadamiyeh.

No caso da primeira cidade, os serviços das Nações Unidas estão impedidos de aceder à zona desde 2012.

O embaixador britânico junto das Nações Unidas, Matthew Rycroft, defendeu hoje que as entregas hoje autorizadas são "demasiado pequenas" e chegam "demasiado tarde", recordando que o que se pedia era o acesso ilimitado a todas as áreas sitiadas.

De acordo com Rycroft, se a reunião de sexta-feira confirmar que a autorização de acesso não está a funcionar, será necessário pôr de pé a operação de lançamento aéreo da ajuda humanitária, que as Nações Unidas estão a preparar há semanas.

O embaixador russo junto das Nações Unidas, Vitaly Churkin, disse, pelo seu lado, que a Rússia prefere continuar a tentar conseguir o acesso da ajuda humanitária por terra, em vez de se optar pelos aviões.

De acordo com dados das Nações Unidas, cerca de 600 mil de pessoas vivem atualmente em localidades sitiadas na Síria, na sua maioria em zonas bloqueadas pelas forças do Governo sírio.

Lusa

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