sicnot

Perfil

Mundo

Rafael Marques diz que libertação dos ativistas angolanos resulta da "pressão"

A libertação dos 17 ativistas angolanos detidos há mais de um ano em Luanda, decidida hoje pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) de Angola, "não deixa de ser uma decisão política" que resulta da "pressão", afirmou hoje Rafael Marques.

Jornalista angolano Rafael Marques (Arquivo/ Lusa)

Jornalista angolano Rafael Marques (Arquivo/ Lusa)

Paulo Cunha

Contactado telefonicamente pela Lusa, o ativista e jornalista angolano realçou a partir de Luanda que os 17 detidos nunca deveriam ter sido presos, nem julgados, questionando agora se o Estado vai ressarcir os jovens pelos danos que lhes causou.

"Primeiro, os ativistas nunca deviam ter sido detidos. Segundo, nunca deviam ter sido julgados por uma farsa, por uma palhaçada. Terceiro, é estranho que ainda assim o Tribunal Supremo venha a libertar para depois decidir sobre os casos. A pergunta que se deve colocar agora é se o Estado vai ressarcir os danos que causou a estes 17 jovens", afirmou.

"Temos de ter em conta que esta decisão do Supremo não deixa de ser uma decisão política, porque a Justiça em Angola está instrumentalizada. É a pressão que está a levar a que se tome esse tipo de posições", insistiu.

Rafael Marques defendeu que o Estado angolano "continua a fabricar acusações" sobre "muitos dos detidos", entre eles Luaty Beirão, Nito Alves e Benedito Jeremias, que ainda terão de responder em tribunal pelo "delito" de "destruição do património", por terem escrito nos uniformes utilizados na prisão.

"Temos o Presidente (da República, José Eduardo dos Santos) e a sua família a saquearem o país, temos os generais e os ministros a saquearem o país, e será que os únicos danos causados em Angola ao património do Estado são os uniformes prisionais usados pelos 17? Temos de fazer essas perguntas, temos de estar em alerta, porque são armadilhas constantes no caminho destes jovens", referiu.

Para Rafael Marques, continua a haver uma "subversão extraordinária" da Justiça em Angola.

"A decisão do Supremo responde apenas à pressão, não responde à necessidade de se fazer justiça em Angola. Porque, se a preocupação fosse fazer Justiça, já teriam acabado com estes casos com celeridade e o próprio juiz Januário Domingos teria sido suspenso", concluiu.

O Supremo Tribunal de Angola deu provimento ao 'habeas corpus' apresentado pela defesa dos 17 ativistas angolanos, condenados e a cumprirem pena desde 28 março por rebelião, e ordenou a sua libertação, anunciou hoje à Lusa o advogado Michele Francisco.

"Posso anunciar que recebi agora a chamada do Supremo a dizer que vão ser libertados. Está confirmado e vou agora assistir à saída", disse à Lusa o advogado, aludindo à resposta ao 'habeas corpus' que estava por decidir desde abril, solicitando que os ativistas aguardassem em liberdade a decisão dos recursos à condenação, por rebelião e associação de malfeitores.

A mesma informação foi igualmente confirmada à Lusa pelo advogado de defesa David Mendes, desconhecendo ainda os argumentos do Tribunal Supremo, e que também se está a deslocar para o Hospital-Prisão de São Paulo (HPSP), em Luanda, onde até hoje estavam detidos, a cumprir pena, 12 dos 17 ativistas.


Lusa

  • Cinco mil trabalhadores da PT manifestaram-se em Lisboa
    3:55

    Economia

    Perto de cinco mil trabalhadores da PT manifestaram-se esta sexta-feira, em Lisboa. Os números são avançados pelos sindicatos. Os trabalhadores contestam a transferência de funcionários para empresas parceiras da Altice e outras empresas do grupo, sem as mesmas garantias e direitos. A Altice garante que as transferências são legais mas alguns funcionários já levaram o caso a tribunal.

  • Uma viagem aérea pela Lagoa Negra
    1:02
  • Videovigilância regista impacto de sismo na Grécia

    Mundo

    Um sismo de magnitude 6.7 atingiu na quinta-feira o mar Egeu e causou pelo menos dois mortos e mais de 200 feridos. O momento e o impacto causado pelo abalo foram registados através de uma câmara de videovigilância de um café, na ilha grega de Kos, um dos locais mais afetados.

  • A sátira a Sean Spicer no Saturday Night Live
    1:36

    Mundo

    O estilo de Sean Spicer foi controverso desde o início. A relação conflituosa do ex-assessor da Casa Branca com os jornalistas foi muitas vezes satirizada na comunicação social. Um exemplo é um momento do Saturday Night Live, protagonizado pela atriz Meliissa McCarthy.

  • Músico indiano toca guitarra durante cirurgia ao cérebro

    Mundo

    Abhishek Prasad foi submetido a uma cirurgia ao cérebro esta quinta-feira, num hospital na cidade indiana de Bangalore, após anos e anos a sofrer de dolorosos espasmos nas mãos. O insólito do caso foi que o músico indiano teve de tocar guitarra para ajudar os médicos durante a intervenção cirúrgica.