sicnot

Perfil

Mundo

Corbyn pede desculpa por guerra no Iraque em nome dos trabalhistas britânicos

O líder trabalhista Jeremy Corbyn pediu hoje desculpa pela guerra no Iraque em nome do Partido Trabalhista britânico, numa breve declaração após a divulgação de um relatório sobre o envolvimento do Reino Unido no conflito de 2003.

© Neil Hall / Reuters

O relatório Chilcot sobre o envolvimento do Reino Unido na Guerra do Iraque de 2003, publicado hoje, critica o então primeiro-ministro britânico, o trabalhista Tony Blair (1997-2007), por implicar o país num conflito mal planeado, mal executado e legalmente questionável.

"Hoje quero pedir desculpa em nome do meu partido pela decisão desastrosa de avançar para a guerra no Iraque", disse Jeremy Corbyn, um pacifista convicto que votou contra a invasão do Iraque em 2003.

Numa declaração na Câmara dos Comuns (câmara baixa do Parlamento britânico), o primeiro-ministro britânico demissionário, o conservador David Cameron, afirmou hoje que todos os partidos, incluindo o Partido Conservador, e todos os deputados que apoiaram a guerra contra o Iraque têm de assumir a respetiva parcela de responsabilidade.

"Todos os que votaram [na Câmara dos Comuns] a favor de atacar o Iraque devem assumir a sua justa parte de responsabilidade", afirmou Cameron.

"Não podemos voltar atrás, mas podemos garantir que lições serão aprendidas e agir", acrescentou.

O relatório da comissão Chilcot critica duramente as decisões tomadas pelo ex-primeiro-ministro trabalhista em relação à guerra do Iraque, na qual morreram 179 soldados britânicos e dezenas de milhares de iraquianos.

A alegada posse pelo regime iraquiano de armas de destruição maciça, nunca comprovada, foi a principal justificação para a participação do Reino Unido na invasão do Iraque, em março de 2003, quando Tony Blair liderava o governo britânico.

Chilcot, cuja comissão foi criada há sete anos para apurar os contornos do envolvimento britânico no conflito, concluiu que "o Reino Unido escolheu juntar-se à invasão do Iraque antes de esgotar as opções pacíficas para um desarmamento".

"A ação militar não era, na altura, o último recurso", disse o presidente da comissão, John Chilcot.

Numa conferência de imprensa realizada hoje, Tony Blair reagiu ao relatório, manifestando "pena, arrependimento e culpa".

Nas mesmas declarações, Blair afirmou no entanto que não enganou o Parlamento nem lamenta o afastamento do antigo líder iraquiano Saddam Hussein.

"Sinto mais pena, arrependimento e culpa do que poderão alguma vez saber ou acreditar", afirmou.

No entanto, acrescentou, "como o relatório deixa claro, não houve inverdades, o Parlamento e o Governo não foram enganados, não houve um compromisso secreto com a [decisão de] guerra".

Com uma longa carreira como diplomata, depois de ter sido conselheiro dos serviços secretos do Reino Unido, John Chilcot, de 77 anos, foi o nome escolhido para liderar e organizar uma comissão que tinha a missão de avaliar o papel britânico na guerra do Iraque, desde o início da invasão em março de 2003 até à retirada das tropas britânicas em maio de 2009.

O inquérito foi anunciado em junho de 2009 pelo então primeiro-ministro Gordon Brown (2007-2010), também um trabalhista.

Lusa

  • Governo prepara pacote de medidas para matas ardidas

    País

    O Governo vai preparar um pacote de medidas para as matas nacionais afetadas pelos incêndios, que passa pela elaboração de um relatório de ocorrências, por um programa de intervenção e pela aplicação da receita da madeira nessas matas.

  • "Viverei com o peso na consciência até ao último dia"
    3:00
  • Acabou o estado de graça

    Sá Carneiro dizia que qualquer Governo tem direito a um estado de graça de 100 dias. E que, depois disso, já não tem margem para deitar culpas ao Governo anterior. O discurso de Marcelo, no terreno, junto das vítimas, e não na torre de marfim de Belém, marca o tal "novo ciclo" que o Presidente há muito tinha anunciado, com data marcada: depois das autárquicas.

    Pedro Cruz

  • "O primeiro-ministro falhou em toda a linha"
    4:36

    Opinião

    Miguel Sousa Tavares não acredita que a ministra da Administração Interna se despediu: "ela foi demitida pela Presidente ontem à noite publicamente". No Jornal da Noite, esta quarta-feira, o comentador da SIC declarou que o primeiro-ministro "falhou em toda a linha" e questionou se António Costa tinha a "coragem política de fazer o que é preciso". Sobre os incêndios, Miguel Sousa Tavares disse ainda que o maior problema não era haver reacendimentos, mas sim "não serem logo apagados e propagarem-se".

    Miguel Sousa Tavares

  • 2017: o ano em que mais território português ardeu
    1:41
  • O balanço trágico dos incêndios do fim de semana
    0:51
  • A fotografia que está a correr (e a impressionar) o Mundo

    Mundo

    A fotografia de uma cadela a carregar, na boca, o cadáver calcinado da cria está a comover o mundo. Entre as muitas fotografias que mostram o cenário causado pelos incêndios que devastaram a Galiza nos últimos dias, esta está a causar especial impacto. O registo é do fotógrafo Salvador Sas, da agência EFE. A imagem pode impressionar os mais sensíveis.

  • "O povo exige um novo ciclo"
    1:10

    Tragédia em Pedrógão Grande

    A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande exige que o primeiro-ministro faça um pedido de desculpas público às famílias das vítimas dos incêndios. A Presidente da Associação pede ainda a demissão do comando da Autoridade Nacional de Proteção Civil. Após a reunião desta quarta-feira com António Costa, Nádia Piazza anunciou que o Governo assume as mortes de junho passado e chegou a acordo com os familiares das vítimas.

  • Uso de véu que tape o rosto proibido em serviços públicos no Quebec, Canadá
    1:04
  • 60 milhões de crianças com menos de 5 anos vão morrer entre 2017 e 2030

    Mundo

    Cerca de 15 mil crianças com menos de cinco anos morreram em 2016 em todo o mundo, e 46% destas morreram nos primeiros 28 dias de vida, segundo um relatório divulgado na quarta-feira pela Unicef. Apesar de se ter registado uma descida da mortalidade nos primeiros cinco anos de vida, de 9,9 milhões de mortes em 2000 para 5,6 milhões em 2016, a proporção de recém-nascidos entre os falecidos aumentou de 41% para 46% neste período.