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Migração em massa da Europa do Leste beneficia economias dos países ricos

A migração em massa da Europa do Leste para os países ricos tem beneficiado as nações de acolhimento, mas impedido o crescimento económico dos Estados de origem, refere o Fundo Monetário Internacional (FMI) numa "nota de análise".

Segundo a nota do FMI, que não representa o ponto de vista oficial da instituição, desde o fim do colapso do comunismo, há quase um quarto de século, quase 20 milhões de pessoas deixaram o leste europeu - cerca de 5,5 por cento da população,

"O número significativo de emigrantes com mão-de-obra especializada veio beneficiar os principais países de destino na União Europeia e, por via disso a União Europeia como um todo", lê-se no documento.

"O fluxo de mão-de-obra nos países de origem tende para uma redução do PIB (Produto Interno Bruto) «per capita», cuja capacidade depende da idade e das competências do conjunto dos mirantes", acrescenta-se.

No estudo do FMI refere-se que em 2012, o PIB na Europa central e do sudeste europeu poderia ter crescido 07 pontos percentuais se não tivesse ocorrido a migração em massa entre 1995 e 2012.

O êxodo de mão-de-obra especializada "contribuiu para aumentar o fardo fiscal" do rácio entre as pessoas que trabalham e os que estão no desemprego, refere o "paper" do FMI, que alerta ainda para o facto de a partida de migrantes com alto grau de instrução pode atrasar o progresso e inovação das sociedades deixadas para trás.

O estudo indica também que, apesar de as remessas dos imigrantes poderem, até certo ponto, "mitigar os efeitos negativos da migração em massa", há o perigo de criar problemas de ética no trabalho dos que recebem o dinheiro do estrangeiro.

Na "nota de análise", o FMI refere que os reduzidos níveis do crescimento do PIB deverão manter-se se continuarem as previsões migratórias entre 2016 e 2030.

"As perdas cumulativas podem chegar aos 09%", alerta-se no documento, que adianta que os pequenos países do Báltico, bem como a Bulgária e a Roménia, podem atingir os valores mais altos.

No sentido contrário, refere-se na nota do FMI, poderão estar a República Checa, Hungria e Rússia, países que, curiosamente, também acolhem migrantes dos países da região.

O estudo sugere que os países que sofrem com a partida de migrantes devem tomar medidas para a travar e criar condições para atrair mão-de-obra especializada do estrangeiro.

Lusa

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