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Escritor Frederick Forsyth apoia saída da UE contra os profetas da desgraça

Reuters

Os profetas da desgraça que esperam a catástrofe provocada pela saída do Reino Unido da União Europeia "estão longe da razão", disse hoje à Lusa o romancista britânico Frederick Forsyth, que esteve empenhadamente envolvido na campanha pelo Brexit.

Forsyth, 78 anos, autor de livros como "Chacal", "Odessa" ou "Cobra", esteve envolvido diretamente na campanha do referendo que se realizou em junho passado no Reino Unido e que deu a vitória aos apoiantes do 'Brexit'.

"Agora, teoricamente, temos de invocar o artigo 50 do Tratado de Lisboa. Pensar-se que isto pode acontecer numa semana ou num mês é treta. Implica muitas negociações porque nós estivemos dentro [da UE] durante décadas e não se desmantela este enorme edifício burocrático numa semana. Não pode ser feito. Vamos negociar e todos os profetas que preveem catástrofes e desgraças vão ver que não têm razão. Nada disso vai acontecer", disse à Lusa Frederick Forsyth, que critica a forma de "funcionamento" do bloco europeu.

"O Governo supremo da União Europeia é a Comissão Europeia, mas a comissão não foi eleita pelos cidadãos", acusou Forsyth, frisando que apoia o 'Brexit' porque "simplesmente defende" os valores da democracia.

"Temos um sistema que se chama democracia, que eu apoio. Nós, no Reino Unido, acreditamos que inventámos a democracia moderna. Lutámos durante séculos para conseguirmos chegar à democracia e lutámos durante décadas para implementar o sistema. Depois, tivemos de lutar numa guerra (1939-1945), durante o meu período de vida, para defender a democracia", justificou o autor, reforçando que a Comissão Europeia tem vindo a afastar-se dos valores iniciais.

Na opinião do escritor, "a democracia não é um sistema de governo diferente é o único sistema governamental aceitável" e o funcionamento atual da UE "não é o sistema que foi escolhido inicialmente por Jean Monet, um dos fundadores da União Europeia".

Por outro lado, o romancista britânico mostrou-se preocupado com as mudanças registadas após o fim da Guerra Fria (1989), afirmando que, apesar de a Rússia ser "hostil e de provocar, não é tão perigosa como se pensa", pelo simples facto de ter "uma economia pequena", quando comparada com a União Europeia ou com os Estados Unidos.

"Eu não vejo a Rússia como o perigo capaz de desestabilizar as sociedades europeias. O perigo é o terrorismo", referiu o escritor, acrescentando que a crise dos refugiados está também a afetar a Europa Ocidental.

Frederick Forsyth disse que "já chegaram dois milhões de pessoas e podem chegar mais quatro ou cinco milhões de e isso pode constituir um perigo social"

"Isto não pode continuar, não temos instalações para mais quatro ou cinco milhões de refugiados, assim como não existem meios de segurança para dispersar o terrorismo islâmico", declarou, considerando as "Primaveras Árabes" como um desastre e que todas as intervenções da Europa "tornaram as coisas ainda piores"

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