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Ativista indiana termina greve de fome ao fim de 16 anos

​A ativista indiana Irom Sharmila terminou a greve de fome que cumpria há 16 anos, em protesto contra uma lei que dá poderes especiais às forças armadas em certas zonas da Índia.

Detida por tentativa de suicídio -- um crime na Índia -- e alimentada à força por uma sonda nasal, Sharmila confirmou hoje aos jornalistas que a esperavam, no exterior de um tribunal de Imphal, capital do estado de Manipur, que foi "libertada sob caução", após um "acordo escrito", cita a agência francesa AFP. A ativista disse aos jornalistas que "não é claro" se vai mesmo poder ficar em liberdade.

Sharmila entrou no tribunal de Imphal pouco antes das 11h00 (hora local, 06h30 em Lisboa), onde informou o juiz da sua decisão de terminar com um protesto que mantinha desde 2000, disse à agência espanhola EFE o advogado da ativista, Naveen Kumar.

A EFE teve acesso à ata da audiência, na qual se lê que o juiz aceitou que Sharmila saísse em liberdade a troca de uma caução de 10 mil rupias (135 euros).

Segundo adiantou Babloo Loitongban, porta-voz de Sharmila, a ativista terá de comparecer no mesmo tribunal no próximo dia 23 de agosto.

A interação da conhecida "dama de ferro de Manipur" com a comunicação social foi, porém, breve, tendo Sharmila sido levada para o hospital-prisão Jawaharlal Nehru, em Imphal, onde esteve confinada nos últimos anos.

A greve de fome de duração sem precedentes fez da indiana de 44 anos um ícone internacional da defesa dos direitos humanos.

Foi com surpresa que a Índia e o mundo receberam o anúncio, a 26 de julho, de que Sharmila abandonaria a greve de fome a 9 de agosto.

Sharmila anunciou uma mudança de estratégia, que passa por se apresentar às eleições regionais de 2017, como candidata independente.

"Tenho travado a minha luta sozinha e, por isso, decidi combater através da democracia, tornando-se deputada, em vez de continuar com o jejum", justificou, na altura.

Sharmila entrou em greve de fome a 5 de novembro de 2000, três dias depois de soldados indianos terem assassinado dez civis que estavam numa paragem de autocarro da povoação de Malom, no estado de Manipur, como represália por um ataque à bomba contra uma coluna militar.

Sharmila dedicou 16 anos de vida a combater a Lei dos Direitos Especiais das Forças Armadas, aprovada em 1958, que permite ao exército central atuar à margem do sistema judicial na região nordeste da Índia, onde proliferam os grupos secessionistas armados.

Entre os "direitos especiais" estão o uso da força letal contra quem não obedeça às ordens e a capacidade de atuar sem mandatos judiciais, discricionariedade que, nas palavras da organização Amnistia Internacional, permite às forças de segurança "executar e torturar com impunidade".

Lusa

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