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Cinco mães de crianças assassinadas detidas por protesto contra Putin

Cinco mulheres, mães de crianças assassinadas há 12 anos durante uma tomada de reféns num colégio na cidade osseta de Beslan, foram detidas esta quinta-feira por protestos contra o Presidente Vladimir Putin, durante uma missa no aniversário da matança.

A polícia também deteve dois jornalistas, incluindo uma repórter do opositor "Novaya Gazeta".

Assim que começou a iniciativa em memória dos 318 reféns mortos, entre os quais 186 crianças, as cinco mulheres retiraram peças de vestuário e deixaram à vista camisolas brancas em que se podia ler "Putin, carrasco de Beslan".

Os agentes de segurança presentes na missa, celebrada no edifício do colégio, agora abandonado, onde ocorreu a tragédia, encurralaram as mulheres numa esquina do mesmo ginásio escolar em que os seus filhos foram assassinados em 03 de setembro de 2014, dois dias depois de um comando checheno ter sequestrado o edifício, durante uma polémica operação de resgate.

Quando as cinco mulheres saiam do edifício foram detidas pela polícia com uma dureza extrema, como demonstrado por algumas imagens divulgadas pela "Novaya Gazeta" no seu sítio na internet.

Durante a controversa operação das forças especiais russas para resgatar os reféns, sequestrados no primeiro dia de aulas da escola da pequena cidade da Ossétia do Norte, no norte do Cáucaso, uma daquelas mulheres, Emma Betrozova, perdeu o marido e dois filhos, de 14 e 16 anos.

Outras duas das detidas, Janna Tsirijova e Svetlana Marguiyeva, foram elas próprias reféns e viram morrer as filhas durante a operação de resgate.

Emilia Bazárova perdeu o filho de nove anos e a última das detidas, Ela Kesayeva, teve a filha sequestrada.

Estas cinco mulheres, à semelhança de outras vítimas da tragédia, responsabilizam Putin por ordenar a operação de resgate, apesar de estar ciente de que esta tinha muitas possibilidades de se saldar com a morte de centenas de inocentes, como acabou por acontecer.

Antes de serem detidas e condenadas ao pagamento de multas simbólicas de 500 rublos (menos de 10 euros), por "desobediência aos agentes da lei", as mães exigiram uma investigação da matança, pois consideram uma farsa as pesquisas realizadas até agora.

Recordaram que durante a operação de resgate, as forças especiais russas dispararam de forma indiscriminada, incluindo com carros de combate e lança-chamas, contra a escola, quando todos os reféns se encontravam no seu interior.

Doze anos depois da tragédia, Putin continua a ser acusado de ter decidido lançar a operação em vez de negociar a saída do Exército russo da separatista Chechénia, como pretendiam os sequestradores, para salvar as vidas dos reféns.

Em 2006, uma comissão parlamentar isentou as autoridades russas de qualquer responsabilidade pelo ocorrido em Beslan, ao concluir que "a causa das explosões foi obra dos terroristas", que ativaram os explosivos colocados no ginásio.

Porém, um relatório alternativo, apresentado pelo deputado Yuri Saveliev, assinalou que um grande número de reféns morreu em consequência das explosões dos projéteis disparados pelas forças de segurança, enquanto outra centena faleceu por ter sido apanhada em fogo cruzado quanto tentava fugir da escola.

Lusa

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