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Cuba insiste que Estados Unidos terminem embargo

O Governo cubano insistiu esta sexta-feira no pedido aos Estados Unidos para que terminem o "bloqueio", que considera anacrónico no novo contexto de relações entre os dois países e que causou prejuízos superiores a 125 mil milhões de dólares.

"O bloqueio persiste, prejudica o povo cubano. Não há uma família cubana que não sofra com os seus efeitos. Carências, dificuldades, privação. Isso faz parte da vida quotidiana dos cubanos", afirmou hoje o chefe da diplomacia cubana, Bruno Rodríguez, na apresentação do relatório "Cuba vs Bloqueio".

Esse documento é a base da resolução que a ilha submete todos os anos à votação na Assembleia-Geral das Nações Unidas desde 1992.

Segundo o documento, desde abril de 2015 até março de 2016, quando ocorreu a visita a Cuba do Presidente norte-americano, Barack Obama, os prejuízos dessa política "imoral e desumana" alcançaram os 4.680 milhões de dólares (4.166 milhões de euros).

Os quase 60 anos de embargo económico a Cuba implicam uma perda acumulada, para a ilha, equivalente a 125.873 milhões de dólares (112 mil milhões de euros).

No próximo dia 26 de outubro, Cuba voltará a submeter a votação, nas Nações Unidas, a sua resolução a pedir o fim do embargo, que no ano passado teve o apoio de 121 países, à exceção dos Estados Unidos e Israel.

"Ninguém ignora nem pretende ocultar os nossos problemas, as nossas limitações, os nossos erros, que são da nossa responsabilidade. Mas não se pode ignorar que o efeito do bloqueio é a causa principal dos problemas da nossa economia e o obstáculo principal ao nosso desenvolvimento", sustentou o ministro cubano.

O governante reconheceu que as medidas aprovadas em dezembro de 2014 pelo Presidente Obama para suavizar o impacto do embargo "vão na direção correta", mas considerou que muitas "não poderão funcionar enquanto o bloqueio permanecer em vigor".

"Enquanto existir a proibição do comércio, quer dizer, que Cuba não pode nem exportar nem importar dos Estados Unidos, nem as empresas norte-americanas possam investir em Cuba, essas medidas não são viáveis", alertou.

Rodríguez admitiu que nos 21 meses que passaram desde o restabelecimento das relações entre Havana e Washington, observaram-se "avanços significativos", mas considerou que as medidas dos Estados Unidos "são limitadas no seu alcance e profundidade".

Para o Governo cubano, a vigência do embargo, cujo fim depende do Congresso norte-americano, é o principal obstáculo para a normalização das relações bilaterais.

Segundo o ministro, se os Estados Unidos têm realmente "uma democracia funcional", o Congresso não pode atuar à revelia dos norte-americanos, que na maioria apoiam o fim do embargo e a normalização das relações com a ilha.

"O bloqueio tem os dias contados", sublinhou, mas defendeu que o Governo de Obama "poderia atuar de forma mais decidida e direta" para aliviar o impacto desta política antes do fim do mandato, no início do próximo ano.

Lusa

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