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Ativistas na ONU acreditam que é possível eleger uma mulher para secretária-geral

Os responsáveis da campanha que pretende eleger uma mulher para o cargo de secretário-geral da ONU acreditam que ainda é possível alcançar o seu objetivo, apesar do resultado das primeiras quatro votações.

"Tem sido uma desilusão desde o início, mas não estamos desencorajados. Nas últimas rondas tem havido muita volatilidade e não sabemos como estão a votar os membros permanentes", disse à Lusa a presidente da campanha, Jean Krasno.

Nas primeiras votações, sempre ganhas por António Guterres, a candidata mais bem posicionada foi Irina Bokova, que atualmente lidera a UNESCO. Na última votação, no entanto, a búlgara ficou em quinto lugar, atrás de quatro homens.

"Estão 14 homens no Conselho de Segurança e uma única mulher (Samantha Powell, embaixadora dos EUA). O conselho continua a ser um clube de miúdos crescidos, que votam de acordo com aquilo que estão habituados, e discriminam contra estas mulheres altamente qualificadas", defendeu Krasno.

Neste momento, o lugar de secretário-geral da ONU é disputado por nove candidatos, quatro deles mulheres.

Depois de Bokova, a candidata mais bem classificada na quarta ronda foi Susanna Malcorra, da Argentina, em sexto lugar. As últimas três posições ficaram para Helen Clark, da Nova Zelândia, Christiana Figueres, da Costa Rica (que entretanto desistiu), e Natalia Gherman, da Moldávia.

Krasno, que é professora nas Universidades de Columbia e Yale, diz que "António Guterres é uma pessoa extraordinária, com uma carreira maravilhosa", mas considera que este não é o momento para ser eleito.

"Tivemos oito homens em setenta anos. Três homens da Europa Ocidental. A ONU precisa de um secretário-geral que seja inspirador, excitante, que represente algo novo. Uma mulher no topo geraria tremenda excitação à volta do mundo", defende Jean.

A especialista em relações internacionais defende que "se o Conselho de Segurança voltar a escolher um homem, vai parecer que a ONU é incapaz de mudar, que está presa ao passado e que não é capaz de entrar no século XXI."

Num ano em que a eleição do secretário-geral ficou marcada por uma abertura ao público, com a realização de debates e entrevistas públicas, muitas organizações da sociedade civil envolveram-se na campanha.

Além da campanha de Krasno, cerca de 750 organizações não-governamentais (ONG) de todo o mundo juntaram-se na campanha "1 for 7 Billion" com o propósito de que o melhor candidato para o cargo fosse escolhido.

Outros movimentos têm procurado que um candidato da Europa de Leste, região que nunca produziu um secretário-geral, seja o novo líder da organização.

A líder do movimento "uma mulher para secretária-geral" diz que os objetivos das várias campanhas são compatíveis.

"Não favorecemos nenhuma candidata em favor de outra. Mas acreditamos ser possível alcançar todos estes objetivos. É possível ter uma secretária-geral, que seja da Europa de Leste, e que seja a pessoa mais qualificada para o cargo", concluiu Krasno.

Duas outras votações estão agendadas: uma semelhante às primeiras quatro, que acontece na próxima segunda-feira, e uma na primeira semana de outubro, em que os votos dos membros permanentes do conselho, que têm poder de veto sobre os candidatos, serão destacados.

Assim que um candidato reunir nove votos entre os 15 países membros e aprovação de todos os membros permanentes - China, França, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos - o conselho recomendará o seu nome para aprovação pela Assembleia-Geral da ONU, que reúne representantes de 193 países.

A organização espera ter encontrado o sucessor de Ban Ki-moon, que termina o seu segundo mandato no final do ano, durante o outono.

Há 10 anos, quando havia pouca oposição à ideia de que o cidadão de um país asiático devia ser escolhido, Ban Ki-moon foi indicado depois de quatro votações.

Lusa

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