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ONU quer avisar agricultores de secas e chuvas com três meses de antecedência

TIAGO PETINGA

Duas agências da ONU estão a preparar um sistema de alerta que permitirá avisar governos e agricultores, com três meses de antecedência, de eventuais fenómenos extremos como secas ou chuvas, noticia esta segunda-feira a Rádio da organização.

"A FAO (Organização para a Alimentação e a Agricultura) está a criar, junto com a Organização Meteorológica Mundial, um sistema de alerta que estamos a fazer chegar a todos os governos e queremos em breve fazer chegar aos próprios fazendeiros através dos seus telemóveis. Isso vai-nos permitir, três meses antes, saber se vai chover, se vai ter seca e colocar medidas preventivas", disse o secretário-geral da FAO, José Graziano da Silva, citado pela Rádio ONU.

Na entrevista, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque, o dirigente brasileiro disse que a ideia é evitar a repetição da crise alimentar que o fenómeno El Niño provocou este ano em África, onde dezenas de milhões de pessoas estão em risco de fome devido à pior seca dos últimos 35 anos.

Para o secretário-geral da FAO, os agricultores precisam de antecipar os fenómenos naturais, para poderem preparar-se para eles, especialmente em tempos de alterações climáticas.

O planeamento prévio, explicou, ajuda a reduzir o impacto dos fenómenos extremos e a proteger colheitas, evitando assim a insegurança alimentar.

Dois anos consecutivos de seca, incluindo a pior dos últimos 35 anos, que se verificou este ano, deixaram quase 40 milhões de pessoas na África austral em risco de insegurança alimentar até ao início do próximo ano.

Todos os países estão afetados, mas pelo menos seis Estados - Botsuana, Lesoto, Malaui, Namíbia, Suazilândia e Zimbabué - declararam emergências nacionais devido à seca, enquanto a África do Sul declarou o estado de emergência em oito das suas nove províncias e Moçambique declarou um alerta vermelho de 90 dias em algumas zonas do sul e do centro do país.

A seca atual deve-se ao impacto do fenómeno El Niño e os seus efeitos deverão atingir o nível máximo entre janeiro e março de 2017, estima a FAO.

Além dos danos na agricultura, que exacerbaram a malnutrição crónica na região, a seca matou mais de 640 mil cabeças de gado no Botsuana, Suazilândia, África do Sul, Namíbia e Zimbabué, devido a falta de pasto, falta de água ou surtos de doenças.

Teme-se que no final deste ano ocorra o contra fenómeno do El Niño, o La Niña, que deverá trazer chuvas abundantes, o que poderá ser positivo para a agricultura, mas também comporta o risco de de cheias, que poderiam destruir a produção e ameaçar o gado.

Lusa

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