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Gorbachov diz que o mundo está a aproximar-se da "zona vermelha"

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O ex-dirigente soviético, Mikhail Gorbachov, advertiu hoje que o mundo está a "aproximar-se perigosamente da zona vermelha", numa referência ao exacerbar das tensões entre Moscovo e Washington com a Síria como pano de fundo.

"Penso que o mundo se aproxima perigosamente da zona vermelha", declarou Gorbachov à agência russa de notícias RIA Novosti.

"Não quero dar receitas concretas, mas gostaria de dizer que isto tem que acabar. Temos que retomar o diálogo. Ter-lhe posto fim foi um erro", acrescentou.

As relações entre Moscovo e Washington, já muito deterioradas na sequência da anexação da península ucraniana da Crimeia pela Rússia e do conflito armado no leste da Ucrânia em 2014, degradaram-se ainda mais após o fracasso do último cessar-fogo acordado na Síria, que ambas as capitais patrocinaram no final de setembro e que apenas durou uma semana.

Após o fracasso do cessar-fogo, o exército do Presidente sírio, Bashar al-Assad, apoiado pela aviação russa, lançou uma ofensiva de larga escala contra a cidade de Alepo e avança com combates rua a rua, na tentativa de retomar os quarteirões e bairros da segunda maior cidade síria, nas mãos dos rebeldes desde 2012.

Esta ofensiva foi condenada pelos Estados Unidos e por países ocidentais, mas a Rússia bloqueou no sábado nas Nações Unidas um texto francês que pedia o fim dos bombardeamentos.

Alepo é o nó górdio do conflito sírio, que provocou já 300 mil mortos e uma das piores tragédias humanitárias das últimas décadas.

Em abril, Mikhail Gorbachov, o último dirigente da União Soviética, tinha saudado os esforços dos Estados Unidos e da Rússia no sentido de uma solução para o conflito sírio, mas agora pela para que ambas as partes "regressem às prioridades principais", designadamente a luta contra o terrorismo, o desarmamento nuclear e a proteção do ambiente.

"Ao lado destes desafios, tudo o resto é insignificante", afirmou.

O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, afirmou no domingo que a deterioração das relações EUA-Rússia se deve à "russofobia agressiva", traduzida por "atos hostis" como o deslocamento de armamento para junto das fronteiras russas e a imposição de sanções.

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