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Cinco anos depois da morte de Kadhafi, a Líbia continua mergulhada no caos

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Manu Brabo

A Líbia continua mergulhada na violência e no caos, cinco anos depois da morte do coronel Muammar Kadhafi, que submeteu o país à sua ditadura durante 42 anos.

Durante as revoltas árabes de 2011 emergiu, em meados de fevereiro, uma contestação sem precedentes contra o regime de Kadhafi, apoiada por bombardeamentos aéreos lançados, um mês depois, por Washington, Paris e Londres, sob mandato da ONU e posteriormente, a partir de 31 de março, sob comando da NATO.

Tripoli cai em 23 de agosto e Kadhafi foge. Em 20 de outubro, é capturado num esgoto e morto, perto de Syrte, a região onde nasceu, no leste da Líbia.

Três dias mais tarde, a libertação do país é proclamada pelo Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, órgão político da rebelião, que em 08 de agosto de 2012, passa os seus poderes ao Congresso Geral Nacional (CGN, parlamento), eleito em julho.

Os extremistas islâmicos tentam aproveitar a rebelião e as milícias locais fazem reinar a violência. Em 11 de setembro de 2012, quatro norte-americanos, incluindo o embaixador Christopher Stevens são mortos num ataque contra o consulado dos Estados Unidos em Benghazi (leste), segunda cidade líbia.

O ataque é atribuído ao grupo extremista Ansar al-Charia, ligado à Al-Qaida.

O país mergulha no caos. Ao longo dos dois anos seguintes, as embaixadas estrangeiras fecham e as companhias aéreas estrangeiras suspendem as ligações, enquanto os terminais petrolíferos sofrem bloqueios, que fazem cair a produção.

Em meados de maio de 2014, o general dissidente Khalifa Haftar, que mantém estreitas relações com o Egito e os Emirados Árabes Unidos, lança uma operação contra os grupos extremistas no leste da Líbia, com bases em Benghazi.

Enquanto os extremistas islâmicos boicotam o novo parlamento eleito em 25 de junho, a coligação Fajr Libya, que integra as milícias, incluindo algumas islamitas, conquista Tripoli no final de agosto, após duros combates e reinstala o CGN.

O governo líbio reconhecido pela comunidade internacional refugia-se no leste, em Tobruk, com o parlamento eleito em junho, apoiado pelas forças do general Haftar. A Líbia tem, a partir de agora, dois governos e dois parlamentos.

Um ataque em 27 de janeiro em Tripoli - nove mortos, incluindo cinco estrangeiros - foi reivindicado pelo Daesh, cuja presença crescente na Líbia preocupa há já alguns meses Washington, que lidera uma coligação internacional contra o movimento no Iraque e na Síria.

Em fevereiro, o Daesh reivindica a decapitação de 21 cristãos egípcios. Na sequência de bombardeamentos punitivos egípcios, um triplo atentado suicida faz 44 mortos em Al-Qoba (leste).

Em 09 de junho, o Daesh toma Syrte. Em 13 de novembro, o grupo é alvo dos primeiros bombardeamentos norte-americanos na Líbia, nos quais morre o chefe local do Daesh, o iraquiano Abu Nabil, de acordo com Washington.

Em janeiro passado, 56 pessoas são mortas em ataques do EI, nomeadamente em Zliten (leste).

Três meses depois da assinatura de um acordo negociado com muitas dificuldades, sob a égide da ONU, um governo de união nacional apoiado pela comunidade internacional é proclamado a 12 de março.

O seu líder Fayez al-Sarraj chega, no final de março, a Tripoli e as autoridades dissidentes juntam-se ao seu governo. Mas o executivo paralelo no leste, apoiado pelo general Haftar, e o parlamento reconhecido pela comunidade internacional continuam a opôr-se a Al-Sarraj.

A instabilidade torna o país ideal para os tráficos, nomeadamente de migrantes. A Líbia torna-se em abril no primeiro país de saída para a Europa ocidental.

As forças fiéis ao governo de união lançam a 12 de maio uma ofensiva para recuperar Syrte, apoiada, desde agosto por bombardeamentos norte-americanos.

Lusa

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