sicnot

Perfil

Mundo

Jornalista que salvou milhares de pessoas na 2ª Guerra Mundial recebe presente especial

A jornalista que deu a notícia do início da 2ª Guerra Mundial fez 105 anos, na passada segunda-feira. Antes de se tornar jornalista, Clare Hollingworth ajudou a salvar milhares de pessoas na Alemanha nazi. Quase 80 anos depois, uma das pessoas salvas por Clare fez questão de enviar uma mensagem especial.

Clare Hollingworth em 2016

Clare Hollingworth em 2016

© Bobby Yip / Reuters

Clare Hollingworth em 2016

Clare Hollingworth em 2016

© Bobby Yip / Reuters

Margo Drotar tinha quatro anos quando ela e a mãe foram detidas na Polónia, em 1939. A família de comunistas da Hungria tentava fugir ao avanço de Hitler na Europa, mas acabou por ser apanhada. Após cinco dias sem comer numa cela, a mãe de Margo segurou-a por cima das grades e pediu que chorasse. "Uma mulher passou enquanto eu chorava", Margot disse à BBC, agora com 81 anos.

A mulher que passou entrou em contacto com as forças de resistência da prisão Katowice, na Polónia, conseguindo que Margo e a mãe fossem levadas às escondidas para um apartamento, onde foram entrevistadas por uma mulher inglesa.

Clare Hollingworth em 1932

Clare Hollingworth em 1932

HOLLINGWORTH FAMILY

Em 1938, um ano antes de ser declarada guerra, milhares de refugiados passavam as fronteiras em busca de asilo. Esta crise migratória levou Clare Hollingworth - na altura com 27 anos - até à Áustria, numas supostas férias de natal, onde conseguiu um visto nazi. Algo que permitiu que a mulher fosse voluntária numa missão humanitária muito perigosa: a cidade polaca de Katowice.

Clare ficou encarregue de centenas - mais tarde, milhares - de judeus, comunistas e outras minorias perseguidas. Só aí começou a sua verdadeira missão: arranjar vistos ingleses para estas centenas de pessoas, assim como comida e casa.

Estima-se que entre março e julho de 1939, Clare ajudou cerca de 3 mil pessoas a fugir para Inglaterra. Uma destas pessoas foi a Margo, que conseguiu partir com a sua mãe no último navio da Polónia para Inglaterra antes de a guerra começar.

Margo Drotar em Londres, 1944

Margo Drotar em Londres, 1944

STANYER FAMILY

Quase 80 anos depois, em agosto deste ano, a família de Margo descobriu a verdadeiro papel que Clare teve na fuga da mãe e da filha. A descoberta só foi possibilitada devido à biografia de Clare, escrita pelo neto, Patrick Garrett. A investigação do neto levou-o a descobrir gerações de pessoas a viver em Inglaterra, que chegaram até ali pelas mãos da avó.

Clare Hollingworth na Aústria, 1938

Clare Hollingworth na Aústria, 1938

HOLLINGWORTH FAMILY

Depois do trabalho voluntário na Polónia, Clare voltou a Inglaterra e começou a trabalhar no Daily Telegraph, onde se tornou correspondente de guerra.

Com 105 anos e a viver em Hong Kong, Clare foi surpreendida com um vídeo muito especial: Margo a desejar o feliz aniversário à jornalista. "Feliz aniversário, querida Clare. Vou pensar em ti para sempre. Muito obrigada por aquilo que me deste e por todas as outras pessoas que ajudaste. Obrigada."

Margo Stanyer - antes, Drotar - vive em Milton Keynes, em Inglaterra, tem quatro filhos, nove netos e um bisneto.

 Margo Drotar e a filha em 1960

Margo Drotar e a filha em 1960

STANYER FAMILY

  • Este texto é sobre o bom senso. O bom senso que faltou a Passos Coelho quando, esta manhã, depois de uma visita pelas áreas ardidas de Pedrógão Grande, decidiu falar em suicídios. Passos não se referiu a tentativas, mas sim a atos consumados. Deu certezas. Disse que tinha conhecimento de “pessoas que puseram termo à vida” porque “que não receberam o apoio psicológico que deviam.”

    Bernardo Ferrão

  • Simplex+2017 promete simplificar burocracia
    1:08

    País

    Já está online o novo Simplex+2017, que vai simplificar a vida dos cidadãos, empresas e administração pública. Pagar impostos com cartão de crédito e ter o cartão de cidadão ou a carta de condução no telemóvel são alguns exemplos do que está previsto.

  • Homem fala ao telefone com o filho que pensava estar morto

    Mundo

    Um norte-americano que tinha estado presente no funeral do filho recebeu, 11 dias depois, uma chamada telefónica de um homem que o pôs em contacto... com o filho que havia enterrado semana e meia antes. Tudo por causa de um erro do gabinete de medicina legal.