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UE afirma que bombardeamento em Alepo pode ser crime de guerra

© Abdalrhman Ismail / Reuters

A União Europeia condenou esta segunda-feira veementemente a Rússia pelo bombardeamento da cidade síria de Alepo, afirmando que os ataques aéreos de Moscovo e Damasco poderão ser considerados crimes de guerra.

"Desde o início da ofensiva pelo regime e seus aliados, nomeadamente a Rússia, a intensidade e escala do bombardeamento aéreo do leste de Alepo é claramente desproporcionada", sustentaram os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em comunicado após conversações no Luxemburgo.

"O ataque deliberado a hospitais, profissionais de saúde, escolas e infraestruturas essenciais, bem como o uso de bombas-barril, bombas de fragmentação e armas químicas, constitui uma catastrófica escalada do conflito e poderá ser considerado crime de guerra", frisaram.

Os ministros europeus disseram que vão exercer pressão para que se avance com o aumento de sanções contra o regime do Presidente sírio, Bashar al-Assad, mas não chegaram a ameaçar tomar medidas contra a Rússia por causa do conflito.

A referência a crimes de guerra poderá ser significativa, já que, se houver pressão, o caso poderá ser levado perante o Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia.

A nota de imprensa refere igualmente a "convicção da UE de que a situação na Síria deverá ser levada ao TPI e reitera o seu apelo ao Conselho de Segurança da ONU para tomar medidas a esse respeito".

Os MNE europeus também apelaram com urgência para um cessar-fogo imediato em Alepo para permitir que a ajuda humanitária chegue a antiga cidade da linha da frente que tem sido impiedosamente atacada pelas forças de Assad e, depois, pela Rússia, sua aliada de longa data, desde setembro do ano passado.

A UE "condena veementemente os ataques excessivos e desproporcionados do regime e seus aliados", lê-se no documento.

Quando a declaração dos chefes da diplomacia europeus foi divulgada, Moscovo anunciou um cessar-fogo de oito horas na quinta-feira, roubando o protagonismo da batalha diplomática.

Os ministros da UE afirmaram que o bloco "acredita firmemente que não há solução militar para o conflito" e instou diretamente a Rússia a acordar um cessar-fogo para abrir caminho a novas negociações de paz.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, disse horas antes que os ministros ponderariam impor mais sanções à Síria, mas excluiu a imposição de medidas restritivas à Rússia.

O comunicado não fez referência a esta hipótese, embora o Reino Unido e os Estados Unidos tenham declarado no domingo, em conversações em Londres, que medidas contra Moscovo deveriam ser consideradas.

Lusa

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