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Mandar o chefe ir "bugiar" durante o fim de semana? Só em França

© Petar Kujundzic / Reuters

Rita Ferro

Jornalista

Chefe-intenso-ao-fim-de-semana é proibido desde o dia 1 de janeiro, em França. A nova lei quer dar aos trabalhadores o direito de "desligarem" do trabalho e das tecnologias.

Os trabalhadores franceses já não são obrigados a estarem online durante as 48 horas de descanso e férias.

Esta foi uma das medidas encontradas pelo governo francês, que procura estabelecer acordos que proporcionem flexibilidade de trabalho, mas que evitem o esgotamento. A medida do "direito a desligar" tem como objetivo travar a cultura de trabalho 24 horas por dia, 7 dias por semana, que levou a um aumento das horas extraordinárias, normalmente não remuneradas.

Desde domingo, as empresas francesas estão obrigadas a garantir aos seus empregados o "direito de desconectar" da tecnologia, situação compulsiva e comum, no país e um pouco por todo o mundo, de se verificar emails fora de horas.

Assim a nova lei laboral, obriga as organizações com mais de 50 trabalhadores a iniciarem negociações para definir os direitos dos trabalhadores de ignorarem os seus smartphones, tablets e computadores.

© Robert Galbraith / Reuters

A medida foi introduzida pela ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, que encomendou um relatório apresentado em setembro de 2015 que alertou para o impacto na saúde da "info-obesidade" que atinge muitos locais de trabalho.

Se não chegar a acordo com o trabalhador, a empresa deve tornar explícitas, e por escrito, os deveres e os direitos dos funcionários, fora do horário de expediente.

No entanto, o novo "direito a desligar", que surge de uma reforma muito maior e controversa do direito laboral francês, não prevê qualquer sanção para as empresas que não o definam.

O jornal francês Libération elogiou o movimento ns edição de sexta-feira, dizendo que a lei era necessária porque "os empregados são julgados frequentemente pelo compromisso com a empresa e pela sua disponibilidade".

© / Reuters

Alguns grandes grupos, como a Volkswagen e a Daimler na Alemanha, ou a empresa de energia nuclear Areva e a seguradora Axa, em França, já tomaram medidas para limitar as mensagens fora de horas de forma a reduzir o esgotamento dos trabalhadores.

Algumas medidas incluem não enviar e-mails à noite e fins de semana ou mesmo a destruição automática das mensagens enviadas para os funcionários durante as férias.

Um estudo publicado pelo grupo de pesquisa Eleas, em outubro, mostrou que mais de um terço dos trabalhadores franceses usavam os seus próprios aparelhos para trabalhar fora das horas de expediente.

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