sicnot

Perfil

Mundo

"Hygge", uma palavra dinamarquesa que deu um livro e que está a dar que falar

Rita Ferro

Jornalista

É uma palavra dinamarquesa, em português lê-se "Huga" e é tão única como a nossa "saudade". Mas como diz Winnie the Pooh, não é para soletrar, é para se sentir. E é possível entrevistar uma palavra? É, sim. De forma ficcionada* e depois de lermos "O livro do Hygge. O segredo dinamarquês para ser feliz."

Claro que também podíamos estar a escrever este texto enrolados em mantas quentes e macias, à lareira, e com uma caneca de chocolate quente na mão. Mas não. Estamos na redação (e editámos as fotos de forma a também elas parecerem mais hygge.)

SN: Olá. Obrigada por nos concederes esta entrevista.

Hygge: É um verdadeiro prazer. Mesmo sem mantas quentes e macias, à lareira, e com uma caneca de chocolate quente. (risos)

SN: De onde vens, Hygge?

Hygge: Venho da Dinamarca, aquele que dizem ser o país mais feliz do mundo.

SN: E quem és tu?

Hygge: Essa é uma bela questão, SIC Notícias.

SN: Então?

Hygge: Bem, não sou um conceito simples e não tenho uma tradução exata. Já me chamaram de tudo. "Arte de criar intimidade", "conforto da alma", "ausência de aborrecimentos", "prazer com coisas apaziguantes"... A minha preferida é "Chocolate à luz das velas". A palavra original vem do norueguês e deriva de Hug, ou seja abraço. É algo parecido com conforto. É um modo de vida, de aproveitar o momento, de criar boas memórias. Mas é também organizar e conservar a felicidade. Se pedires a um dinamarquês para me associar um objeto 85% dirão: velas. Como um jantar à luz de velas. Com chocolate, lareira, um copo de vinho e boa companhia.

SN: És então a chave para a felicidade?

Hygge: Bem, o elo entre o hygee e bem estar ou felicidade não será coincidência. Posso bem ser o ingrediente principal para a felicidade.

SN: Mas o hygge só existe na Dinamarca?

Hygge: Acredito que não. Apesar de muitos dinamarqueses discordarem. Há muitas palavras que tem alguma similar com hygge. No entanto, ninguém a utiliza como os dinamarqueses. O vocábulo hygee existe em forma de verbo e de adjetivo. Podemos dizer que esse casaco é tão hyggelig e que o jantar foi super hyggeligt. Usamos e abusamos da palavra hygge em todos os bons momentos. Até temos antónimos de momentos e coisas não-hygge.

SN: Onde há hygge então?

Hygge: Em tudo. Na roupa, na comida, na bebida, dentro e fora de casa, na iluminação, na rua, a sós e acompanhado. Numa chávena de café quente, numa lareira, num sorriso de uma criança. Há mais hygge no inverno, mas também nos podemos encontrar no verão, num mergulho no mar ou num fim de tarde entre amigos a ver o pôr do sol.

SN: Então vocês vestem-se diferente, têm casas e comidas diferentes?

Hygge: Sim, a moda dinamarquesa é despojada e minimalista. Em camadas, com cachecóis de lã tricotados e lenços porque não se pode ter frio no hygge. E muito confortável. Cabelo descontraído e as raparigas fazem carrapitos ou rabos-de-cavalo empinados. Há um consumo elevado de carne, pastelaria e café na Dinamarca associado, claramente, ao hygge. Os bolos são hyggelige e os doces são hyggeligt. As casas têm recantos confortáveis, velas, flores, folhas, peles de carneiro, livros, cerâmica,mantas e almofadas e peças vintage. Uma lareira é o ideal para os dinamarqueses. O segundo motivo é porque é económico. O primeiro, deve-se a mim, claro.

SN: Quantas pessoas são precisas para praticar o hygge?

Hygge: Quase 60% dos dinamarqueses diz que o número ideal para o hygee é entre 3 e 4. Mas o hygge também acontece quando estamos sozinhos como quando vamos à pesca, andamos de bicicleta ou observamos a natureza, e temos aquele momento precioso.

SN: A vida dos dinamarqueses é mais hygge então?

Hygge: Procuramos muito o hygge sim. Por exemplo, às 5 da tarde, geralmente, já ninguém trabalha. E quem tem filhos só o faz até às 4 da tarde. Vão buscar os filhos à escola e seguem para casa para fazer o jantar. Fazemos convívios com os amigos, até porque é mais hygeeligt se tivermos companhia a preparar as refeições.

SN: E mesmo com um clima difícil e uma das cargas fiscais mais elevadas do globo conseguem ser o país mais feliz.

Hygge: Os dinamarqueses não pagam impostos. Investem na sociedade. O modelo Estado-providência reduz o risco, a incerteza e a ansiedade entre os cidadãos e eu faço o resto.

SN: Obrigada pela entrevista. Foi um momento hygge.

* Entrevista ficcionada e baseada em "O livro do Hygee. O segredo dinamarquês para ser feliz" de Meik Wiking, Presidente do Hapiness Research Institute, publicação In Edições.

  • Pablo Bravo: o chileno suspeito de um assalto milionário em Gaia
    6:01

    País

    As autoridades receiam um aumento da violência nos assaltos de redes sul-americanas em Portugal, à semelhança do que tem acontecido noutros países europeus. Pablo Bravo é um chileno com um longo cadastro criminal que, em Portugal, é suspeito de um assalto milionário a um hipermercado, em Gaia e, dias depois, foi detido em flagrante, em Paris, a tentar roubar uma loja de relógios de luxo.

    Notícia SIC

  • Obras para as novas instalações da SIC já começaram
    1:54

    País

    As obras do novo estúdio da SIC e SIC Notícias vão começar. A ampliação do edifício do grupo Impresa vai unir os funcionários do grupo num único espaço, com uma área de 750 metros. O Presidente da Câmara de Oeiras entregou esta terça-feira a licença de obra.

  • Cada vez mais pessoas viajam no Carnaval e Páscoa
    3:08

    Economia

    A procura de viagens na altura do Carnaval e Páscoa tem vindo a aumentar e vários destinos já estão esgotados já que muitas pessoas optam por tirar dias de férias nesta altura do ano. Em contagem decrescente, as agências de viagens não têm tido mãos a medir com promoções e ofertas para destinos variados e adequados a várias bolsas.

  • As crianças que estão a morrer à fome em África

    Mundo

    A UNICEF alertou esta terça-feira que a má nutrição aguda que afeta a Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iémen coloca este ano em "iminente" risco de morte 1,4 milhões de crianças devido à fome que existe naqueles países. São milhares de casos de um incessante desespero numa luta diária pela sobrevivência.

  • Mundo tornou-se "mais sombrio e mais instável" em 2016

    Mundo

    O mundo tornou-se em 2016 "um local mais sombrio e mais instável", devido ao agravamento de conflitos como a Síria e dos "discursos do ódio" na Europa e Estados Unidos, considerou hoje a Amnistia Internacional no seu relatório anual.

  • Semáforos no chão para os mais distraídos

    Mundo

    Na cidade holandesa de Bodegraven, está a ser testado um sistema de semáforos para quem usa o telemóvel na rua. Estes semáforos têm a forma de faixas, que são colocadas no chão, e a luz muda de cor consoante o trânsito, tal como os semáforos já existentes.

    André de Jesus

  • Carro "desgovernado" entra em loja e atropela cliente

    Mundo

    O cliente de um mini-mercado no condado de Bronx, em Nova Iorque, sobreviveu de forma incrível ao impacto de um automóvel que entrou loja adentro. Apesar da violência das imagens, o homem sobreviveu e conseguiu mesmo sair da loja pelo próprio pé até ser transportado para o hospital.

  • Bilhete de desculpas valeu uma bolsa de estudo

    Mundo

    Um jovem chinês ganhou uma bolsa de estudos no valor de 10 mil yuan (cerca de 1.380 euros), depois de danificar acidentalmente um carro de luxo. Isto, porque após os estragos, o jovem deixou um bilhete de desculpas ao dono, assim como todo o dinheiro que tinha com ele, como compensação.

  • Pulseira deixa sentir os movimentos do bebé ainda na barriga da mãe

    Mundo

    A pulseira Fibo permite que os futuros pais (ou mães) consigam sentir os seus filhos a dar pontapés ainda na barriga da mãe. Desenvolvida por um designer de joias da Dinamarca, a pulseira vai transmitir os movimentos do bebé no útero, de modo a que os pais possam partilhar essa experiência da gravidez.

  • Cães desfilam no Rio de Janeiro
    1:00

    Mundo

    O tradicional cortejo de Carnaval brasileiro só acontece daqui a uns dias, mas no Rio de Janeiro já há inúmeros desfiles pelas ruas. Na praia de Copacabana, os animais mascararam-se de humanos.