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Comunidade LGBT nos EUA angustiada com a Administração Trump

A Casa Branca iluminada no dia em que o casamento homossexual foi aprovado, a 26 de junho de 2015.

© Gary Cameron / Reuters

Desde a eleição de Donald Trump para a Presidência dos EUA que o telefone não pára de tocar numa organização que apoia jovens homossexuais, bissexuais e transexuais, revela uma reportagem da Agência France Press. Só no dia seguinte à eleição, a associação recebeu 400 telefonemas e e-mails.

Antes da campanha eleitoral, os membros da comunidade LGBT "sentiam-se capazes de ser eles próprios, uma vez que o país já estava no caminho de aceitar os casamentos homossexuais, na direção de uma maior abertura", explica o diretor executivo da associação Trevor Project, Steve Mendelson. Esta organização aconselha 100 mil pessoas por ano, na sua maioria com menos de 25 anos, de Nova Iorque a Los Angeles.

"Hoje em dia, eles ouvem um discurso que os assusta" e que os faz pensar que não podem "sair do armário" e viver livremente, afirma à AFP.

Com um novo Congresso em que as duas Câmaras são de maioria Republicana e vão apoiar Trump, a angústia aumenta: os casamentos homossexuais poderão ser anulados? Veremos regressar as "terapias de conversão" para alterar a orientação sexual dos jovens homossexuais? Voltarão as discriminações?

MAST IRHAM

"Vai ser a luta das nossas vidas", alerta Camilla Taylor, conselheira de Lambda Legal, uma ONG de defesa dos direitos LGBT.

Após o massacre de junho de 2016 numa discoteca para homossexuais na Florida, Trump prometeu na sua campanha "tudo fazer ao (seu) alcance para proteger os nossos cidadãos LGBT da violência e da opressão de uma ideologia de ódio estrangeira".

"O Governo mais anti-gay possível"

Mas Camilla Taylor sublinha a necessidade de "julgar Trump pelas suas ações e o que fez até agora foi nomear o Governo mais anti-gay possível".

O vice-Presidente Mike Pence, deputado Republicano pelo estado de Indiana, votou sempre no Congresso contra o casamento gay e contra as leis que se opunham às discriminações sexuais. Alguns dos seus comentários são interpretados como sendo um adepto das "terapias de conversão", nomeadamente quando fala em "orientar os meios para as instituições que assistem aqueles que querem mudar de comportamentos sexuais".

Para os militantes LGBT, o novo secretário do Tesouro Steve Mnuchin e a nova secretária para a Educação Betsy DeVos são iguais ao vice-presidente.

A maioria das chamadas feitas para o Trevor Project vem do sul do país, muito conservador. "Ligam não por causa das políticas em si mas pelo impacto da retórica política".

Jim Obergefell, o viúvo que iniciou a petição que deu origem à legalização do casamento homossexual em 2015, está no entanto confiante: será muito difícil o Supremo Tribunal anular a decisão anterior.

O agora ex-Presidente Obama sublinhou na sua última conferência de imprensa, na quarta-feira, que não acredita que esta vitória do movimento LGBT seja "reversível porque a sociedade americana mudou, sobretudo entre os jovens". Admitiu, no entanto, que "há ainda lutas a travar, nomeadamente pelos direitos das pessoas transgénero".

Desde a eleição Presidencial que as várias associações têm recebido cada vez mais pedidos de apoio de transgéneros que querem mudar o sexo com urgência, pois receiam que a nova administração os venha a impedir de fazê-lo.

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