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Parteiras tradicionais ajudam a registar 480 mil crianças sem identificação em Luanda

As parteiras tradicionais de Luanda estão a ser formadas para "ajudar" no registo de nascimento de mais de 480.000 crianças com menos de cinco anos, problema que continua a afetar Angola.

O chefe do departamento de Família e Ação Social do gabinete provincial de Luanda, Ester Santiago, explicou hoje que só na capital angolana, de acordo com os últimos dados disponíveis, da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e do Ministério da Justiça angolano, o número de crianças sem registo de nascimento ascenderá a 480.909, entre um universo 641.209 crianças com menos de cinco anos na província capital.

"Daí que o objetivo da formação é capacitar as parteiras tradicionais em matéria de sensibilização do registo de nascimento", explicou à Lusa a chefe do Departamento de Família e Ação Social do Gabinete Provincial de Ação Social, Cultura, Juventude e Desportos.

O responsável falava à margem de uma ação de formação destas parteiras tradicionais, que decorreu hoje no município de Luanda.

"Nós temos um número crescente de crianças menores de cinco anos de idade que não são registadas a nível do país e da província em especial", reconheceu Ester Santiago, apelando por isso ao contributo das parteiras tradicionais no registo dos nascimentos junto das autoridades.

A formação de parteiras tradicionais na temática do registo de nascimento é uma iniciativa do Ministério da Família e Promoção da Mulher, em conjunto com os ministérios da Saúde e da Justiça e com o Governo Provincial de Luanda, decorrendo até terça-feira.

A formação abrange 50 parteiras por município, em temas que também abrangem os cuidados pré-natais, cuidados com a grávida e os cuidados a ter durante e após a gestação, bem como sinais de perigo a identificar e a promoção do parto institucional, esclareceu Ester Santiago.

As parteiras tradicionais em Angola são mulheres experientes que trabalham especialmente nas zonas onde não existem maternidades ou salas de parto, ainda uma realidade em várias áreas periféricas de Luanda e sobretudo no interior de Angola.

As dificuldades da população no acesso aos pontos de registo de nascimento fazem com que milhares de crianças permaneçam nos primeiros anos de vida sem essa identificação oficial.

"O que acontece é que muitas famílias descuidam essa responsabilidade, porque é uma obrigação de registar os seus filhos. Então o mesmo processo que elas fazem no aconselhamento da mulher grávida para fazer as consultas, neste meio elas também vão fazer a sensibilização para o registo da própria mulher e do seu filho", concluiu o responsável.

Lusa

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