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Polícia vai ao Parlamento francês à procura de provas para o caso Fillon

© Jean-Pierre Amet / Reuters

A polícia entrou hoje no Parlamento francês em Paris para procurar documentos, no âmbito de um inquérito por uso indevido de fundos públicos que envolve o atual candidato da direita às presidenciais francesas François Fillon, segundo fontes parlamentares.

O líder do grupo parlamentar conservador Os Republicanos (LR) e força política de Fillon, Christian Jacob, confirmou, em declarações à comunicação social, a realização de "buscas".

Segundo várias fontes parlamentares, os investigadores policiais concentram-se no gabinete de François Fillon, antigo primeiro-ministro durante a Presidência de Nicolas Sarkozy (2007-2012). Outras fontes referiram que os agentes estiveram nos escritórios administrativos do Parlamento.

Fontes próximas à investigação esclareceram que os documentos não foram alvo de buscas judiciais, mas sim que foram disponibilizados.

O inquérito que envolve Fillon foi desencadeado na semana passada por uma notícia do jornal satírico Le Canard Enchaîné segundo a qual a mulher do político conservador, Penelope Fillon, terá "recebido cerca de 500.000 euros brutos" em oito anos na qualidade de assessora parlamentar do marido, apesar de nunca ter exercido essas funções.

Segundo o semanário, que afirmou ter tido acesso aos recibos de vencimento de Penelope Fillon, o caso passou-se entre 1998 e 2002, quando

Fillon foi deputado pela região de Sarthe (noroeste), de onde é natural. Penelope Fillon auferiu um salário mensal de 3.900 euros brutos até 2001 e de 4.600 euros brutos no ano seguinte. Quando Fillon foi nomeado ministro em 2002 pelo Presidente Jacques Chirac, a mulher passou a ser assessora de Marc Joulaud, que substituiu o marido no parlamento. Segundo o Canard Enchaîné, Penelope Fillon foi aumentada, passando a auferir entre 6.900 e 7.900 euros brutos por mês.

O Canard Enchaîné escreveu igualmente que, nesse período, Penelope Fillon apresentava-se como doméstica e que não há memória de ter trabalhado na Assembleia Nacional (câmara baixa do Parlamento francês).

A mulher de Fillon também terá sido assistente literária no título La Revue des Deux Mondes, uma publicação detida por Marc Ladreit de Lacharrière, um empresário próximo do ex-primeiro-ministro.

"François Fillon deseja que a justiça atue o mais rápido possível", disse Christian Jacob.

"Não há razão nenhuma para duvidar da independência do poder judicial", acrescentou o deputado, referindo que o grupo parlamentar conservador apoia François Fillon. E assegurou: "Ele tem o apoio unânime dos deputados".
Este caso está a ser um escândalo em França e Fillon -- que surge como um dos favoritos para as eleições presidenciais francesas de abril e maio - afirmou durante o último fim de semana que não irá deixar-se "intimidar" por estas suspeitas.

Também disse que só daria explicações à justiça e não à comunicação social, porque confia na justiça para estabelecer a verdade.

Fillon, que insiste que os empregos de Penelope não foram fictícios e que a sua mulher efetuou os trabalhos para que foi contratada, afirmou igualmente que está a ser vítima de um ataque para travar a sua possível eleição para o Eliseu (sede da Presidência francesa). E referiu entretanto que só irá renunciar da candidatura se for acusado.

Na segunda-feira, o casal foi ouvido, em separado, durante seis horas pela polícia francesa no departamento responsável pelo combate à corrupção e aos crimes financeiros e fiscais.
François e Penelope Fillon afirmaram na segunda-feira após os respetivos interrogatórios ter "fornecido elementos úteis para o estabelecimento da verdade".
A primeira volta das eleições presidenciais francesas realiza-se a 23 de abril deste ano. Caso seja necessária uma segunda volta, o escrutínio realiza-se em maio.

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