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Setor tecnológico dos EUA estuda resposta judicial conjunta a decreto anti-imigração

Mark Lennihan

Um grande grupo de empresas do setor tecnológico dos Estados Unidos está a começar a preparar uma ação judicial conjunta para contestar o decreto anti-imigração do Presidente, Donald Trump, indicaram esta terça-feira fontes próximas do processo.

Trump proibiu na sexta-feira passada, por decreto, a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países de maioria muçulmana (Irão, Iraque, Iémen, Somália, Sudão, Síria e Líbia) durante 90 dias, de todos os refugiados por um período mínimo de 120 dias e dos refugiados sírios indefinidamente - para rever os critérios de concessão de vistos de residência.

Esta ordem executiva desencadeou um cerrar de fileiras, em particular no setor tecnológico, com os dirigentes de gigantes como Google, Microsoft, Facebook, Apple, Amazon e Netflix a expressarem preocupação. Mais de 20 empresas vão participar numa reunião para debater que opções têm contra o decreto, que poderá ter graves consequências para um setor que emprega milhares de imigrantes e de estrangeiros.

"É ainda demasiado cedo, mas a estratégia será provavelmente semelhante à do caso do iPhone de San Bernardino", disse, a coberto do anonimato, um funcionário do setor tecnológico que acompanha o que está a ser discutido. As autoridades tentaram obrigar a Apple a ajudar a polícia a desbloquear um iPhone pertencente a um dos autores do tiroteio que fez 14 mortos naquela cidade da Califórnia em 2015.

A Apple recusou, e várias empresas do setor tecnológico manifestaram-se solidárias enviando à Justiça uma carta de apoio aos seus argumentos.

Entre os participantes esperados na reunião estão, entre outros, a Alphabet, casa-mãe da gigante da internet Google, o serviço de vídeo 'online' Netflix, a plataforma de reservas de alojamento em casas particulares Airbnb e a rede social Twiter, segundo a mesma fonte.

Outras empresas foram convidadas, entre as quais a produtora de 'software' Adobe Systems, as plataformas de armazenamento 'online' Dropbox, de venda de produtos artesanais Etsy e de comentários de internautas Yelp, a fundação Mozilla - que desenvolveu o navegador de internet Firefox -, o serviço Pinterest - que se propõe colecionar imagens relacionadas com os interesses de cada um -, o agregador de blogs Reddit, o grupo informático Salesforce, a empresa de satélites SpaceX e a criadora de jogos de vídeo Zynga.

As discussões incluem "vários membros" de uma associação do setor tecnológico sediada em Washington, indicou também outra fonte.

Diversas ações judiciais foram interpostas nos últimos dias contra o decreto presidencial, e alguns juízes impediram a aplicação de alguns dos pontos do diploma.

A gigante do retalho 'online' Amazon e a viajante pela internet Expedia, que têm ambas sede no estado de Washington, no noroeste do país, já enviaram documentos ao sistema judicial para apoiar uma queixa do ministério da Justiça estadual exigindo o fim imediato da aplicação do decreto, porque o considera inconstitucional. A Amazon indicou ter 49 assalariados nascidos num dos países visados no decreto presidencial, bem como sete pessoas às quais fez uma proposta de emprego.

O grupo precisou ter "contactado os empregados da Amazon em causa e as pessoas dependentes deles e recomendado que se abstenham de viajar para fora dos Estados Unidos até novas ordens".

Desde sexta-feira, várias empresas e associações tecnológicas criticaram a ordem presidencial e avisaram que a sua aplicação prejudicará a competitividade do setor nos Estados Unidos." [Notes:Tais medidas] criam uma incerteza considerável em torno do sistema de imigração da nossa nação e terão um impacto negativo sobre os trabalhadores do setor tecnológico que vivem e trabalham no nosso país", indicou Linda Moore, presidente da organização setorial TechNet.

Lusa