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Com Trump na Casa Branca, Merkel assume que UE terá de fazer mais coisas "sozinha"

A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu hoje que "no futuro" a União Europeia (UE) terá de fazer mais coisas "sozinha" devido à postura assumida pela nova administração norte-americana liderada pelo Presidente Donald Trump."Existirão questões que poderemos abordar em conjunto (com os Estados Unidos) para os nossos interesses comuns e existirão também tarefas que, no futuro, teremos de fazer sozinhos", disse Merkel, numa conferência de imprensa no final da cimeira europeia informal que decorreu hoje em La Valletta, em Malta.

A mudança na Casa Branca não estava na agenda oficial do encontro, mas acabou por ser um dos assuntos mais comentados.

Entre os assuntos sobre os quais a UE concorda e poderá continuar a cooperar com Washington está, na opinião de Merkel, a luta contra o terrorismo e o radicalismo islâmico.

Mas, a chanceler alemã fez questão de reiterar que não concorda com uma luta que lança uma "suspeita generalizada" sobre pessoas "de certos países ou de certas religiões".

Merkel já tinha criticado as medidas anti-imigração de Trump que suspendem a chegada aos Estados Unidos de todos os refugiados por um período mínimo de 120 dias - para os refugiados sírios o prazo é indeterminado -- e que impedem a entrada no território americano durante três meses aos cidadãos de sete países de maioria muçulmana: Iraque, Irão, Iémen, Líbia, Somália, Sudão e Síria.

Sobre outros assuntos divergentes, a chanceler alemã defendeu que o bloco europeu deve encontrar a sua posição, em conformidade com os seus "valores comuns".

"A UE deve atuar unida e tomar o seu destino nas suas próprias mãos", sublinhou Merkel, especificando, por exemplo, um maior envolvimento em África, a negociação de novos acordos comerciais e um aprofundamento dos esforços na política de defesa.

Neste último ponto, a Alemanha, segundo frisou a chefe do governo alemão, está a tomar medidas e a melhorar as suas "capacidades defensivas".

Merkel destacou ainda a necessidade de mostrar uma maior "responsabilidade" para com o desenvolvimento económico e a estabilidade política no continente africano, aspetos que estão intrinsecamente relacionados com as causas que provocam o fluxo de migrantes e de refugiados que tem afetado nos últimos anos a Europa.

Lusa


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