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Mulheres em greve de fome em Madrid contra violência machista

Oito mulheres da associação "Vê a Luz" estão a fazer uma greve de fome por tempo indefinido na principal praça do centro de Madrid contra a violência machista, que mata uma mulher em cada três dias no país.

"Daqui não saímos até que o parlamento e o Governo concordem com a realização de um pacto de Estado sobre a violência de género e aceitem as nossas reivindicações", disse hoje Sarah Estrada à agência Lusa junto à tenda onde as mulheres estão em greve de fome, na conhecida Porta do Sol da capital de Espanha.


Visivelmente debilitada por não comer desde quinta-feira, Estrada afirmou que "agora cabe aos partidos políticos espanhóis fazerem alguma coisa" e pediu que "mais mulheres se juntem ao movimento".


A associação "Vê a Luz" foi criada em 2009 e pretende que os partidos políticos aceitem um pacto de Estado que respeite 25 pontos reivindicativos, nomeadamente uma lei sobre a violência machista que contemple a figura de "feminicídio" (crime de ódio baseado no género).

Às vítimas da violência de género o mesmo tipo de ajudas que as vítimas do terrorismo já recebem, ou o reconhecimento imediato do estatuto de vítimas às mulheres cujos filhos tenham sido assassinados.


A associação também pretende que o Estado ajude na recuperação das vítimas enquanto decorre o processo judicial ou que se responsabilize pela pensão alimentar dos menores.


As oito mulheres receberam o apoio de uma série de artistas e profissionais da cultura espanhola que as visitaram durante o último fim de semana.


No domingo, as grevistas também lançaram um apelo ao presidente do Governo espanhol, Mariano Rajoy, para que este criasse um gabinete de crise para tratar de todas as questões relacionadas com a violência machista.


Segundo dados fornecidos pela "Vê a Luz", o número de mulheres com mais de 18 anos assassinadas em Espanha foi de 54 em 2014, 60 em 2015, 44 em 2016 e já vai em 10 no ano corrente.

Lusa

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