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Empresas sul-coreanas alertam para impacto da prisão do herdeiro da Samsung

Ahn Young-joon

Os principais empregadores sul-coreanos alertaram para o possível impacto na economia nacional que poderá ter a detenção do herdeiro da Samsung, no âmbito do caso de corrupção e tráfico de influência que levou à destituição da chefe de Estado.

Lee Jae-yong, vice-presidente de Samsung Electronics e líder de facto do grupo empresarial que representa aproximadamente 20% da economia nacional, foi detido na quinta-feira e acusado de ter pagado cerca de 40 milhões de dólares (cerca de 37 milhões de euros) em subornos à confidente da ex-Presidente Park Geun-Hye, Choi Soon-Sil, em troca de favores políticos.

Lee Jae-Yong já tinha sido interrogado várias vezes neste caso, que abalou o país e levou à destituição da Presidente.

A sua detenção por ordem de um tribunal local "pode causar uma ausência de liderança" no conglomerado empresarial e "estender as incertezas a outras empresas sul-coreanas", assim como "representar um grande obstáculo para a economia nacional", disse esta sexta-feira a Federação das Empresas Sul-coreanas em comunicado.

"O impacto negativo não se limitará à imagem do executivo, mas também se estenderá à perceção do setor empresarial no seu conjunto", disse por sua vez a Associação Comercial Internacional da Coreia.

Outros peritos sul-coreanos dizem que os possíveis efeitos negativos se limitariam à Samsung e a curto prazo, embora recordem que a empresa enfrenta uma crise de credibilidade devido ao fiasco do telefone Galaxy Note 7, o modelo retirado do mercado no ano passado por problemas com as baterias.

De qualquer forma, a ausência do líder de facto da empresa obrigará o maior fabricante mundial de telemóveis a suspender temporariamente planos de investimento e outras decisões relevantes que só podem ser autorizadas pelo próprio Lee, disseram fontes da empresa à agência Yonhap.

As ações de Samsung Electronics chegaram a cair esta sexta-feira cerca de 1,4% a meio da sessão após ter sido tornada pública a detenção de Lee.

Outras empresas do conglomerado, como a construtora Samsung C&T ou a financeira Samsung Securities retrocediam, por sua vez, 3,2% e 1,5% respetivamente. Maior fabricante mundial de smartphones, que representa um quinto da economia sul-coreana, a Samsung está a tentar recuperar do problema do Galaxy Note 7, cujas baterias explodiam.

O escândalo está centrado em Choi Soon-Sil, amiga de 40 anos da Presidente, Park Geun-hye, suspeita de ter usado pessoas para obrigar os grandes grupos industriais do país a "dar" quase 70 milhões de dólares (cerca de 65 milhões de euros) a duvidosas fundações por si controladas.

A Presidente foi acusada de cumplicidade e de permitir que Choi se intrometesse em assuntos do Estado, sem ter qualquer título oficial.

Lee Jae-Yong tornou-se patrão de facto da Samsung, depois de o seu pai ter sofrido um ataque de coração em 2014.

Os investigadores estão à procura de provas para tentar provar que os pagamentos feitos pela Samsung foram usados para ter luz verde do Governo para a fusão controversa entre duas das suas entidades em 2015.

A fusão, que juntou a C&T e a Cheil Industries, foi denunciada por várias acionistas, que consideraram que a C&T foi deliberadamente desvalorizada.

Lusa

  • Fuga de Vale de Judeus em junho de 1975 no Perdidos e Achados
    0:36

    Perdidos e Achados

    Prisão Vale de Judeus, final de tarde de domingo, dia 29 de junho de 1975. O plano da fuga terá sido desenhado por uma vintena de homens. Serrada a presiana metálica era preciso passar, para fora do edifício, as cabeceiras dos beliches onde os presos dormiam. Ao longo de cerca de uma hora 89 detidos, agentes da PIDE/DGS, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado português extinta depois da revolução de 1974, fogem do estabelecimento prisional.

    Segunda-feira no Jornal da Noite