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Atleta olímpica que fugiu da Síria nomeada embaixadora da ONU

Fabrizio Bensch

A nadadora síria que fugiu do seu país e chegou a nado à costa europeia, Yusra Mardini, e participou nos Jogos Olímpicos Rio2016, foi esta quinta-feira nomeada embaixadora da boa vontade pela agência da ONU para os refugiados.

"Para mim é uma honra representar os refugiados do mundo e ser a mais jovem embaixadora da boa vontade da história do ACNUR. Estou grata por esta oportunidade", disse Yusra Mardini, de 19 anos, nascida em Damasco e residente em Berlim, na Alemanha.Yusra Mardini, que em 2012 representou a Síria nos Mundiais de natação, fugiu do país em 2015, devido ao conflito existente, embarcando com a irmã Sarah, desde a Turquia, numa jornada que as levou às costas da Grécia.

Num frágil barco à deriva com 20 pessoas, devido a falha no motor, Yusra Mardini, então com 17 anos, atirou-se ao mar e nadou em direção à costa mediterrânica, durante cerca de três horas, orientando a embarcação até terra grega.

Tal como outros milhares de refugiados, Yusra Mardini chegou à Alemanha e as autoridades locais, conhecendo as suas aptidões desportivas, proporcionaram-lhe condições para continuar a treinar.

"Serei eternamente grata à Alemanha por me ter acolhido, alojado, alimentado e por me ter permitido continuar a treinar", disse Yusra Mardini, que falava durante uma conferência de imprensa.

Quando o Comité Olímpico Internacional (COI) decidiu formar uma equipa de refugiados para participar no Rio2016, Yusra Mardini foi um dos elementos escolhidos.

"Para mim é um sonho. Depois de tudo que tinha acontecido, participar nos Jogos Olímpicos e ser capaz de ser uma voz para milhões de refugiados em todo o mundo é incrível", disse Yusra Mardini.

A curto prazo, a nadadora planeia visitar o Japão, local dos Jogos Olímpicos de 2020, para partilhar a sua experiência como membro da equipa de refugiados de 2016 e defender a participação de igual seleção em Tóquio.

"Eu não sei o que vai acontecer nos próximos seis meses, o que eu sei é que eu quero estudar, treinar e continuar a defender o respeito e direitos dos refugiados", disse.

Lusa