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Fernando Henrique Cardoso pede a Temer que se demita

O ex-Presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso reagiu esta quinta-feira ao escândalo de corrupção que envolve o atual Presidente, Michel Temer, defendendo que este respeite a Constituição e se demita, numa mensagem publicada na rede social Facebook, mas sem nunca o nomear. "A solução para a grave crise atual deve dar-se no absoluto respeito à Constituição", escreveu FHC.

O jornal brasileiro O Globo divulgou há um dia gravações sobre um encontro do chefe de Estado com um dos donos da empresa JBS, Joesley Batista, em março, no qual Michel Temer supostamente deu aval ao pagamento de um suborno em troca do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Além de Temer, as gravações entregues por Joesley Batista à Justiça brasileira também comprometem Aécio Neves, aliado político do Presidente, líder da direita brasileira e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, em 2014, que foi afastado hoje do cargo de senador pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo FHC, "é preciso saber com maior exatidão os fatos que afetaram tão profundamente nosso sistema político e causaram tanta indignação e deceção. É preciso dar publicidade às gravações e ao fundamento das acusações".

"Os atingidos por elas têm o dever de se explicar e oferecer à opinião pública suas versões. Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar, são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia", argumentou o ex-presidente do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

"O país tem pressa. Não para salvar alguém ou estancar investigações. Pressa para ver na prática medidas económico-sociais que deem segurança, emprego e tranquilidade aos brasileiros. E pressa, sobretudo, para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens públicos", frisou FHC, que ocupou a presidência do Brasil entre 1995 e 2002.

Depois de, na quarta-feira à noite, ter negado as denúncias em comunicado, dizendo que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio de ex-deputado Eduardo Cunha", Temer está agora reunido no Palácio do Planalto, sede do Governo, com os ministros Eliseu Padilha, da Casa Civil, Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, e Antônio Imbassahy, da Secretaria de Governo.

O chefe de Estado cancelou todos os compromissos que tinha na agenda para hoje e está previsto que faça ao início da noite de hoje uma comunicação ao país.

Lusa

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