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As exigências de Trump sobre a investigação à Rússia eram "muito perturbadoras"

Jonathan Ernst / Reuters

O antigo diretor do FBI James Comey disse hoje perante o Congresso norte-americano que achou "muito perturbadoras" as exigências que Donald Trump lhe fazia, mas que não era a ele a quem cabia determinar se o Presidente norte-americano estava a colocar entraves à Justiça.

Última atualização às 17:46

James Comey, demitido em maio pelo Presidente Donald Trump, foi hoje ouvido no Comité de Serviços de Informações do Senado (a câmara alta do Congresso) sobre a alegada ingerência russa nas eleições presidenciais norte-americanas em 2016.

"Não era a mim que cabia de determinar se a conversa que tive com o Presidente era uma tentativa de obstrução" da Justiça, declarou, acrescentando que Trump não lhe disse para "parar" com a investigação sobre a Rússia.

Questionado pelo presidente da Comissão, o republicano Richard Burr, sobre se Trump lhe tinha dado ordem para "parar a investigação do FBI sobre a ingerência russa nas eleições americanas de 2016", Comey respondeu "Não".

Sobre investigação a Michael Flynn

Donald Trump não deu uma ordem explícita ao antigo diretor do FBI para abandonar a investigação sobre o antigo conselheiro Michael Flynn, mas Comey disse ter interpretado as palavras do Presidente "como uma instrução".

Numa declaração escrita enviada ontem ao Congresso, James Comey tinha adiantado que Donald Trump lhe sugeriu que abandonasse a investigação a Michael Flynn, ex-conselheiro envolvido no caso da alegada ingerência russa nas presidenciais.

Relatando um encontro realizado a 14 de fevereiro na Sala Oval, Comey escreve que o Presidente Donald Trump falou com ele sobre a investigação relacionada com Michael Flynn, acusado de mentir sobre contactos com responsáveis russos, e declarou: "Espero que possa encontrar uma forma de abandonar isto, de deixar Flynn. É um bom homem".

Receios de que Trump mentisse sobre natureza dos encontros

Confessou ter ficado "seriamente preocupado que [Trump] mentisse sobre sobre a natureza dos nossos encontros e por isso achei que era mesmo importante documentá-los", explicou Comey que colocou por escrito todas as trocas de palavras com o Presidente desde o primeiro encontro, em janeiro na Trump Tower.

"Surpreendido" e "confuso" com afastamento

"Não sei por que razão fui despedido", disse Comey. "Talvez pela forma como estava a dirigir a investigação russa e por causa da pressão que tudo isto exercia" sobre Trump, acrescentou. Comey foi despedido a 9 de maio por Trump, que alegou que o diretor estava a deixar o FBI "num caos".

Comey diz que Trump divulgou "mentiras" sobre si

"A administração escolheu difamar-me e, muito mais grave, difamar o FBI, ao dizer que a organização estava mergulhada no caos (...), que o seu pessoal tinha perdido a confiança no seu líder. Isso foi mentira, pura e simplesmente", disse Comey.

Para Comey, o "FBI é honesto, forte e independente" e vai funcionar bem, com ou sem ele.
Para justificar a decisão de despedir Comey, Trump afirmou que o FBI estava mergulhado "no caos" e que os agentes federais tinham perdido a confiança no seu líder.

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