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Maioria à vista para Macron e suas reformas nas legislativas de domingo

Philippe Wojazer

Um mês após elegerem como Presidente o centrista Emmanuel Macron, os franceses escolhem no domingo os seus representantes na Assembleia Nacional, onde o partido presidencial aposta em alcançar a maioria necessária à concretização das reformas prometidas na campanha.

Em vésperas da primeira volta do escrutínio destinado a eleger 577 deputados (11 dos quais em representação dos franceses residentes no estrangeiro), as sondagens dão uma confortável margem de avanço ao campo Macron, com cerca de 30% das intenções de voto, face a uma oposição dividida.

Eliminados na primeira volta das presidenciais, os tradicionais partidos de esquerda e direita que partilham o poder em França desde há 60 anos temem agora ser varridos por uma onda azul, a cor do movimento presidencial criado há apenas um ano.

Segundo várias projeções, ele poderá mesmo conquistar perto de 400 deputados, muito além do limite de 289 assentos parlamentares necessário para obter a maioria absoluta.

Apesar de os dirigentes europeus e os mercados se congratularem ao saber que as reformas prometidas poderão ser levadas a cabo, a perspetiva de uma concentração dos poderes preocupa as outras forças políticas francesas, que acusam Macron e o seu movimento de porem em prática "uma estratégia de controlo hegemónico".

A potencial onda de deputados pró-Macron viria confirmar a sede de renovação política dos franceses, que afastaram os candidatos dos partidos tradicionais e elegeram um Presidente de 39 anos que ainda há alguns anos era um total desconhecido.

O seu desejo de destruir as fronteiras políticas convencionais levou-o a formar um Governo misturando figuras de direita, de esquerda e da sociedade civil.Entre os 530 candidatos d'A República em Marcha, o movimento de Macron, só 28 são parlamentares cessantes.

A par deles, estão cidadãos procedentes das mais variadas áreas: uma toureira, um matemático, um piloto de caça, entre muitos outros cuja falta de notoriedade ou de experiência não os impede de serem elegíveis, à boleia da popularidade do novo chefe de Estado francês, que beneficia de um inegável estado de graça neste início de mandato.

Estas legislativas revestem-se de uma enorme importância para Emmanuel Macron, que precisa de uma sólida maioria absoluta para aplicar a sua política de reformas sociolaborais: moralização de uma vida política minada por escândalos financeiros, flexibilização do código de trabalho -- correndo o risco de desencadear a ira dos sindicatos -- e redução dos défices públicos, em cumprimento das normas europeias.

O imperativo é duplo: trata-se de respeitar os compromissos assumidos junto dos eleitores, mas também de reconquistar a confiança de Berlim, que há muito tempo reclama reformas estruturais em Paris.

Ora, Macron tem realmente a intenção de formar com a Alemanha a dupla de liderança europeia, numa altura em que o aliado norte-americano se distancia e em que o Reino Unido escolheu o 'Brexit'.

As assembleias de voto estarão abertas nas grandes cidades das 08:00 às 20:00 (das 07:00 às 19:00 de Lisboa), hora a que serão divulgadas as primeiras projeções assentes em resultados parciais.

Se nenhum dos candidatos ultrapassar os 50% na primeira volta, os dois primeiros ficam automaticamente qualificados para uma segunda volta, tal como aqueles que ultrapassarem 12,5% dos inscritos -- mesmo na terceira ou na quarta posições.Na segunda volta, agendada para 18 de junho, vence o partido que obtiver mais votos, qualquer que seja a participação do eleitorado.

Lusa

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