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Dezenas reúnem-se em Hong Kong a pedir liberdade para o Nobel da Paz Liu Xiaobo

Bobby Yip

Dezenas de pessoas concentraram-se esta segunda-feira em frente à representação do Governo chinês em Hong Kong para exigir a libertação do dissidente Liu Xiaobo, que está sob vigilância hospitalar após lhe ter sido diagnosticado um cancro em fase terminal.

Os manifestantes mostravam cartazes com a cara de Liu Xiaobo e gritavam palavras de ordem a pedir às autoridades de Pequim a libertação imediata do dissidente.

"Liberdade para Liu e deixem de perseguir a sua mulher, Liu Xia", gritavam os manifestantes.Condenado em 2009 a uma pena de 11 anos de cadeia por subversão, Liu Xiaobo, 61 anos e prémio Nobel da Paz 2010, foi colocado em liberdade condicional em meados de junho após lhe ter sido diagnosticado, em maio, um cancro no fígado em fase terminal.

Desde então, o dissidente está internado, sob vigilância, no hospital universitário n.º 1 de Shenyang (na província Liaoning, no nordeste da China).

A mulher do dissidente foi colocada em prisão domiciliar pouco tempo depois de Liu Xiaobo ter sido distinguido com o Nobel da Paz, mas até à data não foi acusada de nenhum crime.

Durante a ação de protesto realizada esta segunda-feira, o advogado oriundo de Hong Kong e ativista dos direitos humanos Albert Ho convidou os manifestantes a permanecerem sentados junto do edifício da representação do governo chinês até que Pequim autorize Liu Xiaobo a decidir onde quer receber tratamento médico.

Até esta segunda-feira à tarde mais de cinco mil pessoas tinham assinado em Hong Kong um documento em que é exigida a libertação do dissidente para que este possa receber tratamento médico no estrangeiro, como é desejado pela família.

O hospital onde está internado Liu Xiaobo informou esta segunda-feira que o dissidente está "num estado crítico", declarando-se pronto a transferir o defensor dos direitos humanos para os cuidados intensivos caso seja necessário.

As autoridades chinesas têm recusado a saída do ativista do hospital, argumentando que Liu Xiaobo não pode fazer viagens longas.

Alguns médicos norte-americanos e alemães conseguiram visitar no último fim de semana o ativista e o seu diagnóstico coincide, em grande parte, com o dos oncologistas chineses. Os especialistas estrangeiros consideraram no entanto que Liu Xiaobo conseguiria viajar para outro país.

Nos últimos 10 dias, Hong Kong tem sido palco de várias manifestações de apoio ao dissidente chinês. Vinte anos depois da transferência de soberania de Hong Kong do Reino Unido para a China, as autoridades daquele território continuam a revelar uma maior tolerância em relação a direitos e liberdades, nomeadamente de reunião e de expressão, mais restritos no resto da China.

Lusa

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