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Liu Xiaobo, o Nobel da Paz que largou tudo e correu para Tiananmen

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Liu Xiaobo, o ativista político e vencedor do Prémio Nobel que morreu esta quinta-feira, ficará para sempre ligado ao movimento pró-democrático que foi reprimido na Praça de Tiananmen em 1989 e à defesa da democracia na China.

Liu Xiaobo estava em Nova Iorque quando o mundo começou a aperceber-se do movimento a favor da democracia que começava a ganhar forma em Pequim e, segundo contaram alguns dos que com ele conviveram, largou o trabalho e apanhou o primeiro avião disponível.

"Não podemos permitir um derramamento de sangue, temos de ir", terá dito a alguns dos seus mais próximos.

Chegado a Pequim, é-lhe atribuída uma importante parte da responsabilidade pela negociação da libertação de centenas ou milhares de estudantes - o número é incerto até hoje, tal como é incerto o número de mortos na repressão aos pedidos de democracia e de mais respeito pelos direitos humanos na China do final dos anos 80.

Escritor, maestro, poeta, intelectual, dissidente, Liu tinha muitas facetas, mas morreu sendo, acima de tudo, uma pessoa livre, um cidadão crítico, sem medo nem inimigos, mesmo vivendo vigiado por um regime autoritário, segundo relata a agência de notícias espanhola Efe.

Nascido numa família de intelectuais, desde cedo ficou marcado por algumas das iniciativas do Partido Comunista chinês, que obrigou o seu pai a largar a vida burguesa para ir para o interior da Mongólia, durante a chamada 'Revolução Cultural' impulsionada por Mao Zedong.

O jovem Liu, adolescente na altura, acompanhou o seu pai para o inóspito território, e acabou a vender jornais até ao falecimento de Mao, em 1976, voltando nesse ano para a sua província natal, Jilin, onde começou a estudar Literatura chinesa e uma década mais tarde já era professor numa das mais prestigiadas universidades de Pequim.

A forma desassombrada - e provocadora, para alguns - como escreveu algumas críticas ao regime de Pequim tornou-se uma referência e começou a ser convidado para dar conferências no estrangeiro. Foi precisamente no estrangeiro, em Nova Iorque, que as manifestações de 1989 o apanharam, tendo regressado de imediato à capital chinesa, onde encontrou os tanques nas ruas a dispersar estudantes e manifestantes que clamavam pela abertura democrática. Foi aí, contaram alguns amigos à agência de notícias espanhola Efe, que se tornou um 'ativista político', de caráter extremadamente tolerante e pacifista, mesmo quando foi preso durante dois anos, na sequência das manifestações, e depois novamente em 1996, durante três anos, num campo de reeducação laboral, no qual casou com a sua segunda e atual esposa, a poetisa Liu Xia.

Em 2009, foi condenado a 11 anos de cadeia por "incitar à subversão", uma condenação que estava quase a cumprir quando foi encaminhado, em junho, para um hospital para tentar travar o cancro que acabaria por matá-lo hoje.

Durante todo o tempo esteve sob vigilância e sem liberdade, apesar dos pedidos internacionais e da disponibilização de vários líderes, como Angela Merkel, para o receber.Liu, que é recordado por quem o conhece como uma pessoa tranquila e franca, um empedernido apoiante do futebolista Leo Messi, estava convencido de que a mudança na China tinha de vir de dentro, e por isso nunca optou pelo exílio.

A sua perseverança na luta por uma China democrática acabou por lhe valer o Prémio Nobel da Paz em 2010, um galardão que recebeu atrás das grades, e que dedicou aos "mártires de Tiananmen"Quase trinta anos depois, Liu Xiaobo torna-se um deles.

Lusa

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