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Mais de 30 crianças morrem em hospital na Índia por falta de reservas de oxigénio

Trinta e quatro crianças morreram nos últimos dois dias num hospital público no norte da Índia porque aparentemente a unidade hospitalar não tinha reservas de oxigénio, divulgaram esta sexta-feira a polícia e os media locais.

"O hospital indicou que 23 crianças morreram na quinta-feira e outras 11 morreram hoje. Até ao momento, esta é a única informação que temos", afirmou, em declarações à agência noticiosa francesa France Presse (AFP) via telefone, um alto responsável da polícia local, Satyarth Aniruddha Pankaj.

"Está em curso uma investigação", acrescentou o representante.

As crianças que morreram estavam internadas no hospital público Baba Raghav Das, localizado no Estado mais populoso da Índia (Uttar Pradesh), zona governada pelo partido de direita Bharatiya Janata Party do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Segundo vários 'media' locais, as crianças morreram depois da empresa fornecedora de oxigénio ter cancelado as entregas ao hospital em questão, aparentemente por falta de pagamento de faturas na ordem de vários milhões de rupias.

Um magistrado local, identificado como V K Srivastava, afirmou, no entanto, que o hospital dispõe de reservas de oxigénio suficientes.

"As mortes não são por causa da falta de oxigénio, ao contrário do que está a ser relatado. O fornecimento foi interrompido ontem [quinta-feira], mas o hospital tem botijas suficientes em reserva", afirmou o magistrado à AFP.

"Muitos casos graves são tratados neste hospital, que regista todos os dias a morte de uma dezena de crianças. Uma equipa foi criada para estudar este caso", concluiu.

Os hospitais públicos indianos enfrentam diariamente grandes constrangimentos e vivem à beira da rutura: os doentes enfrentam longas filas de espera, mesmo para as intervenções mais simples, e muitas vezes são obrigados a partilhar camas.

Os indianos que conseguem evitar os hospitais públicos e recorrer a clínicas privadas, onde uma consulta pode custar em média 1.000 rupias (mais de 13 euros), são uma minoria.

Milhões de indianos vivem com menos de dois euros por dia.

Lusa

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