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#MeToo: mulheres de todo o mundo denunciam agressões sexuais

A islandesa Björk denuncia ter sido vítima de assédio sexual por parte de "um realizador dinamarquês"

Vincent West / Reuters

Já não se trata "apenas" do produtor de Hollywood Harvey Weinstein nem do território da "Meca do cinema". Mulheres de vários pontos do mundo levantaram a voz no Twitter para denunciar abusos e agressões sexuais que sofreram às mãos de superiores hierárquicos, nomeadamente realizadores e produtores. Mas não só.

Na sequência das acusações contra Weinstein feitas por cerca de 30 mulheres que trabalham na indústria do cinema - Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Mira Sorvino, Lea Seydoux, Ashley Judd, Rosanna Arquette, entre outras - a atriz Alyssa Milano percebeu que tinha que levar a discussão sobre assédio sexual contra mulheres a outro patamar.

No domingo à noite publicou no Twitter um apelo a todas as mulheres: "Se foste assediada ou agredida sexualmente escreve 'eu também' como resposta a este tweet".

Menos de 24 horas depois, 53 mil pessoas tinham deixado comentários, milhares de mulheres escreveram #MeToo partilhando as suas histórias de violação, assédio ou agressão sexual.

A iniciativa de Alyssa Milano teve eco um pouco por todo o mundo. Mulheres, famosas e anónimas, relataram as suas experiências.

Na Grã-Bretanha, a palavra-chave #MeToo foi utilizada, por exemplo, pela deputada trabalhista Stella Creasy: "Fui assediada como milhões de mulheres e raparigas pelo mundo. A vergonha é de quem ataca, não minha".

Na Tunísia, várias mulheres utilizaram o Twitter para descrever incidentes em que foram vítimas, na rua, no trabalho ou nos transportes públicos, denunciando uma "cultura de banalização da violação".

No Egito, as mulheres partilharam as suas experiências de assédio sexual, um flagelo naquele que é o maior país do mundo árabe. De acordo com um estudo da ONU, 99,3% das egípcias afirmaram em 2013 ter sido vítima de pelo menos uma forma de assédio sexual e 82,6% revelaram não se sentirem seguras na rua.

#balancetonporc / #denounceallpigs

Em França, um apelo com uma palavra-chave diferente, mas com objetivo igual, tornou-se viral nos últimos dias. A jornalista Sandra Muller convidou as francesas a utilizar #balancetonporc [denuncia o porco] para denunciar "fornecendo o nome e os pormenores, um agressor sexual que conheceste no teu trabalho".

A atriz e realizadora italiana Asia Argento - que acusa Harvey Weinstein de a ter violado em 1997 - lançou no domingo a versão em inglês #denounceallpigs (denuncia todos os porcos). Utilizou também #quellavoltache (desta vez...) para acusar um "grande realizador de Hollywood com o complexo de Napoleão" de a ter drogado para depois a violar quando estava inconsciente aos 26 anos e denunciar que "um realizador/ator italiano mostrou-me o pénis quando eu tinha 16 anos".

Na sua página de Facebook, a cantora islandesa Björk contou ter sido vítima de assédio sexual por parte de "um realizador dinamarquês". O único com quem Björk trabalhou como atriz foi Lars Von Trier, em "Dancer in the Dark", em 2000.

"Inspirada pelas mulheres pelo mundo que estão a fazer revelações online contou-vos a minha experiência com um realizador dinamarquês", escreve Björk. Em entrevista a um jornal dinamarquês, Lars von Trier rejeitou a acusação, dizendo: "Não foi o caso. Mas não éramos realmente amigos, isso é um facto".

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